As
manifestações culturais piauienses e suas disseminações no Orkut[1]
Maurício Santana de Oliveira Sobrinho[2]
INTRODUÇÃO
As revoluções tecnológicas ao longo dos anos
foram responsáveis por boa parte do surgimento dessa nova forma de fazer
comunicação. Nada disso seria possível sem as revoluções disseminadas pela
computação. A simplicidade obtida nos meios de comunicação deve-se unicamente
as evoluções e revoluções dos setores técnicos do mundo digital, que permitiram
ao homem facilitar as suas formas de trabalho e de ação social. Tudo o que vivemos hoje na verdade foi uma
resposta da necessidade da sociedade, muito dos principais responsáveis por
toda essa revolução tecnológica, se teve pela criação de movimentos sócias,
antes vistos como utópicos. Hoje, o que começa acontecer é um efeito inverso,
em que a tecnologia vem propagando cada vez mais novos movimentos e novas
conquistas, isso é o que veremos no primeiro capítulo, como as tecnologias
influenciaram e influenciarão nas ações humanas.
Pode-se observar o surgimento e a possibilidade de uma comunicação cada vez mais interativa através das novas tecnologias. Veremos a construção de varias possibilidade de uma comunicação cada vez mais rápida e eficiente através de uma rede de computadores, até chegarmos a rede que temos conhecimento hoje, a internet. A capacidade de mutação em que esta rede vem se mostrando a cada dia, é o que tornam dela, um verdadeira potencia na área da comunicação, e passa a ser cada vez mais intrigante e completa, proporcionando a criação de espaços virtuais onde as pessoas possam usufruir das trocas de informações, assim considera Levy (1998).
A propagação e o surgimento cada vez mais forte desta rede em todo mundo vem fazendo dela um dos meios de comunicação mais versáteis que o homem já teve. A sua disseminação nas diversas formas de cultura no mundo real vem provocando a criação de uma nova cultura totalmente universal dentro do seu espaço virtual, a cibercultura é o resultado da propagação dos novos comportamentos dentro desses espaços, isso é o que garante Levy (2003). Para ele a construção e a manutenção desta nova forma de cultura é possível através da interatividade das pessoas com este meio, é esta busca incessante por informações que alimentam e propagam a cibercultura.
O surgimento de comunidades virtuais foi inevitável dentro deste espaço. Pessoas com interesses de informações comuns, é que o alimentam, estas comunidades que a cada dia vem se tornando uma forte arma para as novas manifestações culturais, assim afirma Domingues (1997). A possibilidade de interação dentro das comunidades a respeito de um mesmo assunto, é que fazem delas o espaço ideal onde a cibercultura pode ser disseminada, ou seja, é lá que todos efetuam as ações da própria cibercultura, assim garante Levy (2003).
O Orkut é umas das comunidades de relacionamentos que mais tem se destacado no Brasil. Nos últimos anos, o aumento do número de pessoas a procura por esta comunidade no país, tem sido de uma forma bastante intensa, e quando inseridas elas agregam novas características culturais próprias da comunidade, mudando assim as formas de linguagem e o próprio comportamento dentro desses espaços. A sua capacidade interativa é mais uma resposta das novas tecnologias da comunicação, que ao longo dos anos vem revolucionando as formas midíaticas clássicas.
Cada vez mais, encontramos nas novas formas da comunicação virtual a possibilidade de encontrar espaços menos burocráticos, mais democráticos e com aspectos mais sociais que os antigos meios de comunicação. O surgimento de comunidades na internet como o Orkut, prova que a sociedade necessita inteiramente de uma forma de comunicação mais participativa, o individuo ganha uma inteira importância nas divulgações das informações. Há dois anos o Orkut no Brasil tem tido um crescimento e um reconhecimento bastante satisfatório a tal ponto que hoje é o site de relacionamento mais acessado no país, afirma Telles(2007)
No Piauí, a propagação da comunidade Orkut, também teve um grande respaldo, muitas pessoas encontraram nele a possibilidade de propagar os seus ideais de uma forma simples, direta e de fácil aceitação por grande parte dos participantes. Muitos encontros, manifestações e discussões foram potencializadas no Piauí através do Orkut, a tal ponto que muitas comunidades foram criadas com o objetivo único de atrair o maior numero de pessoas para que os seus processos ideológicos fossem propagados.
Para alcançar os objetivos propostos por este
trabalho, será utilizado como bases teóricas os conceitos de Levy sobre a
propagação da cibercultura e suas comunidades virtuais como novas formas de
comunicação e manifestações culturais, assim como também as de Telles, a
respeito da utilização das estratégias do Orkut como propagador de idéias,
utilizando o Marketing Viral como melhor ferramenta para isso. O método de
pesquisa utilizado é o estudo de caso das reações interativas das manifestações
culturais dentro das próprias comunidades virtuais cedidas no espaço Orkut.
1. Os meios de comunicação e a
internet
Para Dizard Jr, (2000), a internet vem causando nas indústrias da mídia, uma grande perspectiva de distribuição de uma gama de serviços avançados de informação e entretenimento para maiores audiências. Hoje os recursos mais utilizados na internet são os serviços de informação e noticia e o e-mail, daí o surgimento de varias empresas de fora do ramo da mídia tradicional, assim como também aconteceu o processo de migração das antigas mídias para a internet. Todos tendo e brigando pelo mesmo objetivo, conseguir consumidores possibilitando como produtos um pacote integrado de serviços multimídia via Internet e outros canais. Para ele, um dos maiores desafios econômicos em que as organizações clássicas de mídia estão passando, é o faturamento publicitário, assunto crítico para as publicações impressas e as emissoras. Antes os jornais retiravam cerca de ¾ do seu faturamento de publicidade, tendo uma proporção ainda maior as estações de radio e de televisão. Outra mudança que a internet trouxe para as mídias tradicionais, como o jornal impresso foi a própria mudança na forma e rotina de trabalho. No jornal impresso sua mudança é vista desde a sua entrega, antes feita pelo jovem rapaz jornaleiro e sua bicicleta, e hoje feita via WEB, sendo acessado e lido na hora em que o internauta assim o desejar.
No final dos anos 90,
entretanto, a mídia tradicional alcançou a revolução da alta tecnologia das
telecomunicações. Um dos motivos é que os métodos de distribuição mais antigos
são caros e freqüentemente duvidosos. Uma razão mais importante é a necessidade
de competir mais eficazmente com novos tipos de serviço de informação baseado
Com a chegada da internet, muitos meios de comunicação clássicos viram-se amedrontados de serem prejudicados e acabarem no esquecimento, mais hoje o que podemos notar é a agregação da internet como um grande aliado.
Negroponte, (1995), considera que hoje estamos em uma transição da era da informação para a era da pós-informação. Na era da informação os meios de comunicação de massa tornaram-se simultaneamente maiores e menores como, por exemplo, a forma de transmissão televisiva, facilitando atingir assim um público bem maior. E revistas especializadas, serviços por cabo, atendem por si um público bem menor, assim os meios de comunicação são maiores e menores ao mesmo tempo. Na era da pós informação, segundo ele, o público é formado por apenas uma pessoa, sendo tudo feito por encomenda, tudo personalizado.
Segundo Cairncross, (2000), na medida em que as transmissões de som e vídeo da internet melhoram, ela se torna um meio bastante eficaz e barato para a transmissão de rádio e TV. Hoje muitas rádios possuem softwares que possibilitam a sua transmissão ao vivo direta de uma estação. Assim sendo o usuário, entrando na WEB, pode encontrar diversas rádios do mundo inteiro, além de possibilitar ao internauta, funções como armazenar informações para serem ouvidas mais tarde.
Para Brasil, (2002), a cada dia vem se tornando mais comum empresas que trabalham com o telejornalismo fazerem transmissões via internet, isso vem acontecendo pelo fato de que além dela ser um meio mais barato, a sua simplicidade na hora da conexão facilita para que os próprios repórteres operem os equipamentos.
Telejornalismo na web ou
telejornalismo online se caracteriza hoje por uma agilidade do rádio com o
potencial imagético da TV. Mas creio que o mais importante é a interatividade.
O público participa muito mais através de e-mails, ICQ e contatos ao vivo
durante as transmissões. O custo mais baixo também viabiliza novas experiências
e cria possibilidades mais democráticas. A acessibilidade universal numa
linguagem local e universal também são características que tem tudo para se
tornarem ainda mais preciosas. É emocionalmente produzir um jornal comunitário
dentro de uma universidade e receber uma mensagem eletrônica de Praga, na
República Tcheca, de alguém que acabou de assistir ao seu telejornal. Ou seja,
o telejornalismo online possui as mesmas características e o potencial de
comunicação da própria internet.(Brasil, 2002, p.337)
De acordo com Pinho, (2003), uma das principais características da internet como mídia, é a possibilidade em que o receptor tem de interferir na informação, ou seja, ele tem a possibilidade de por suas opiniões sobre determinada informação. Sendo essa característica mais fácil de ser observadas nos próprios jornais on-line, onde o internauta recebe a informação e logo responde ao mesmo.
Os meios de comunicação clássicos, a cada dia estão tomando para si as características da internet. Cada vez mais as adaptações, que antes eram vistas por muitos como desnecessárias, estão se tornando realidade. Com a evolução crescente e muito rápida da internet, os antigos meios estão adaptando-se, e guiando-se com a mesma velocidade.
Para Kucinski, (2005), a internet como novo meio de transmissão de informação, sem dúvidas, mudou por completo a forma de trabalho da empresas de mídia. O jornalismo on-line é, segundo ele, um conceito-fetiche, pois não explica o que mudou na pratica jornalística em função da internet. Esse mesmo jornalismo não se difere das antigas praticas da atualização de noticias e sim por um novo ritmo de abastecimentos, a que fatos são narrados em textos contínuos e curtos, servindo assim como uma agência de noticias provisória, que pauta os outros meios de comunicação.
Nassif, (2003), afirma que a característica do profissional da mídia dos anos 2000, é uma postura mais continuada e profissionalizada de acompanhamento, ou seja, esse profissional tem a possibilidade de desmistificar a qualquer momento uma determinada noticia. Os meios que ele possui hoje, como a internet, é que possibilitam a ele uma maior intervenção na noticia, de forma mais barata e rápida.
Com a proliferação da
internet e a criação dos indicadores – modelo adotado pelas agências regulatórias
– o trabalho da imprensa passa, necessariamente, pela montagem de painéis de
controle sobre temas variados, que permitam não só ao jornalista, como ao
leitor, ter a noção de conjunto do processo de construção dos temas do país.
(Nassif, 2003, p.35)
A internet a cada dia vem ganhando mais espaço nos meios de comunicação, tanto é que para se falar em transmissões de telecomunicações nos dias de hoje, logo vem à palavra internet. Este novo meio, sem dúvidas, agora que está dando os seus primeiros passos, e em seu curto tempo de vida, já foi possível mostrar como é sua força revolucionária.
Para Domingues (1997) com a rápida evolução da internet, a sociedade cada vez mais começa a emergir em uma nova cultura. Seus hábitos, seus costumes, suas regras, começam a ter um âmbito mais universal, o homem passa assim a ganhar um novo espaço onde ele possa dividir os seus conhecimentos. Segundo ela, é quase que impossível pensar em um futuro sem viver sem os caminhos que a internet proporciona para o mundo virtual, e para uma nova cultura universal, a cibercultura.
Para Levy, (2003), a mais forte característica da cibercultura é a capacidade que ela tem de ser “universal sem totalidade”. Antes da internet proporcionar ao homem um espaço onde ele podia encontrar varias formas de conhecimento e informação, dependente única e exclusivamente do seu desejo, era a escrita e os meios de comunicação que lhes davam as devidas fontes para a documentação do conhecimento. Para ele, a grande diferença do novo espaço que garante as trocas de cultura para os outros, é a capacidade que o individuo tem de ser ator em sua informação, ou seja, ele tem a possibilidade de recíproca e de interpretação. Levy afirma ainda que, a escrita não determina automaticamente o universal, ela na verdade o condiciona, sendo que as mídias de massa, como a imprensa, o radio a TV, dão continuidade a linhagem cultural do universal iniciado pela escrita. Segundo ele, a capacidade desses meios de não explorar o contexto particular de cada individuo é que possibilita a eles a formação de um público, é esta característica redutora e conquistadora que transformam estes meios em universais e totalizantes.
A verdadeira ruptura com a pragmática da comunicação instaurada pela escrita não pode estar em cena com o rádio ou a televisão, já que estes instrumentos de difusão de massa não permitem nem uma verdadeira reciprocidade nem interações transversais entre participantes. O contexto global instaurado pelas mídias em vez de emergir das interações vivas de uma ou mais comunidades, fica fora do alcance daqueles que dele consomem apenas a recepção passiva, isolada.(Levy, 2003, p.117)
A nova cultura instalada pela cibercultura começa a definir para o homem novas formas e condutas de comunicação. Os hábitos e os interesses das pessoas começam a ser modificados naturalmente com a implantação e o crescimento deste novo espaço.
Negroponte, (1995), leva em conta que na era da pós informação, na qual a cibercultura está instalada, a vida digital quebrará cada vez mais as barreiras geográficas, além de quebrar também as barreiras de tempo e espaço, onde se poderá está em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora, sem sair do quarto. Esta nova era é capaz de transportar cada vez mais o homem a uma “realidade virtual”, além de naturalmente exigir máquinas mais eficientes e amigáveis, até que se tornem verdadeiros “mordomos digitais”.
A idéia de construir
substitutos dos computadores que possuam certa quantidade de conhecimento tanto
sobre um assunto(um processo, uma área de interesse, um modo de operar) quanto
sobre você e sua relação com esse assunto (seus gostos, inclinações, as pessoas
que você conhece). Ou seja, o computador deve possuir uma dupla especialidade,
como cozinheiro, um jardineiro e um motorista utilizando os conhecimentos que
têm para atender aos gostos e necessidades do patrão em matéria de comida,
jardinagem e locomoção. Os mordomos digitais serão numerosos, vivendo tanto em
rede quanto ao seu lado, no centro e na periferia de sua própria companhia
(seja ela grande ou pequena). (Negroponte, 1995, p. 146.)
A cibercultura leva ao individuo novas formas e ferramentas de ações, sendo estas cada vez mais simplificadas pela evolução das máquinas.
Kucinski, (2005), garante que graças à revolução da informática, da microeletrônica e principalmente a sua constante queda de preço, abriu-se um novo caminho que devolve aos consumidores do ciberespaço uma autonomia como produtor. A internet vem se mantendo como mídia capaz de realizar uma autonomia permanente, e apesar de ter as suas redes de provedores dominadas por interesses econômicos, a cada dia ela ganha mais características anarquistas no mundo virtual.
Segundo Domingues, (1997), os inventos tecnológicos passados, formados basicamente pela aculturação de alguns setores dominantes, não foram responsáveis por mudanças tão radicais quanto as que a eletrônica vêm assumindo, as formas culturais vêm mudando na medida em que as relações do homem com o mundo não são as mesmas depois do contato com a inteligência artificial, com a realidade virtual e com a própria robótica. Para ela, o próprio museu está indo para o museu, a própria arte contemporânea está se modificando, artistas ligados a centros avançados de pesquisa assumem cada vez mais uma ruptura com a arte do passado criando assim um cenário dominado pela arte da participação, da interação, uma verdadeira passagem da cultura material para cultura imaterial.
Que arte é essa da
cibercultura? O ciberespaço e a arte interativa são invenções das tecnologias
do século XX. O espaço é mais do que o bidimensional, o tridimensional ou o
arquitetônico, é o ciberespaço, espaço de computadores, o espaço planetário, o
espaço de ambientes digitais. O papel, o fotograma sobre celulóide, os muros da
cidade deixam seu lugar para palhetas e menus eletrônicos, para a corrida dos
pontos luminosos, para o pixel que não se fixa na tela, para o som, para o
fluxo de ondas. A arte circula em satélites que conversam no céu, em modens que
traduzem sinais sonoros em gráficos, instala-se em próteses eletrônicas para o
corpo, em transdutores e sensores, em robôs que nos substituem, em sofisticados
circuitos e sistemas computadorizados e nas telecomunicações. (Domingues, 1997,
p. 18)
O ciberespaço a cada dia vem se mostrando o lugar ideal para se adquirir e dividir cultura. A cibercultura ganha assim, uma característica comunitária entre os internautas, onde suas fontes e suas obras de conhecimento são amplamente difundidas em espaço infinito de idéias.
2.1 – Os movimentos sociais na construção da cibercultura e suas
Comunidades Virtuais
Segundo Levy (1999), a cibercultura é na verdade a expressão da aspiração de construção de um laço social. Todo o espaço da cibercultura foi proporcionado na década de 70, principalmente pelo movimento social Computers for the People, onde os jovens tinham o interesse de por o computador na mão de todas as pessoas, transformando assim todo o significado social da informática. Nesse sentido, o principal inventor e propagador da reapropriação em favor dos indivíduos de uma potencia técnica que proporcionasse a todos o desenvolvimento da cibercultura, foi um movimento social. Desse modo, as mudanças sociais ocorridas nos anos seguintes, foram favorecidas cada vez mais pelas evoluções na comunicação virtual. Nos anos 80, jovens metropolitanos e de conhecimento bem avançado nessas tecnologias, desenvolveram um espaço de encontro virtual onde a internet era o transporte para que isso ocorresse, aumentando cada vez mais a importância do ciberespaço.
Aqueles
que fizeram crescer o ciberespaço são em sua maioria anônimos, amadores
dedicados a melhorar constantemente as ferramentas de software de comunicação,
e não os grandes nomes, chefes de governo, dirigentes de grandes companhias
cuja a mídia nos satura. Seria preciso falar dos visionários dos primeiros
anos, como Engelbart e Licklider, que desde o início dos anos 60, pensavam que
deveríamos colocar as redes de computador a serviço da inteligência coletiva,
dos técnicos que colocaram para funcionar os primeiros correios eletrônicos e
os primeiros fóruns, os estudantes que desenvolveram, distribuíram e
aperfeiçoaram os programas de comunicação entre computadores, os milhares de
usuários e administradores de BBS... Símbolo e principal florão do ciberespaço,
a internet é um dos mais fantásticos exemplos de construção cooperativa
internacional, a expressão técnica de um movimento que começou por baixo, constantemente
alimentado por uma multiplicidade de iniciativas locais. (Levy, 2003, p.126)
Todo o conhecimento e a capacidade de relacionamento que a internet proporciona, surgiu da necessidade de movimentos sociais. Hoje, o ciberespaço faz parte da cultura da grande maioria das pessoas, e o seu desenvolvimento mostra que o seu futuro será muito mais amplo.
Kac (1997) garante que o desenvolvimento das novas tecnologias de informação gera novas situações, e com isso maneiras novas de compreender situações já conhecidas. Para ele, cada vez mais está sendo construída uma nova estética social, resultante da sinergia de novos elementos não formais, como a coexistência em espaços virtuais e reais, sincronicidade de ações, operações de telerrobôs e colaboração através da rede.
Para Forest (1997), cada vez mais a redes deixam de funcionar apenas como transporte de informação, a cada dia elas ganham características de solidariedade, de sincronização, de organização administrativa e social. Para ele, a rede vem criando um espaço onde cada individuo tem a informação que quer, e a hora que quiser, criando assim uma cidade digital, onde sua missão não é apenas de coletar e difundir informação, mais também um lugar de troca privilegiada de sugestões e críticas, dando vida assim a esta cidade.
O espaço proporcionado pelo ciberespaço como os próprios sites de relacionamento, sem dúvidas é o que Forest (1997) chama de cidade digital, seu sistema é dirigido por todos os indivíduos que o alimentam de informações. Esta cidade na verdade leva a uma compreensão que a vida digital é alimentada por uma gigantesca troca de informações, e sem elas, a viagem neste sistema não teria o menor sentido.
A
extensão do ciberespaço transforma as restrições que haviam ditado à filosofia
política, às ciências da administração, às tradições de organização em geral o
leque habitual de suas soluções. Hoje, um bom número de restrições desapareceu
devido a disponibilidade de novas ferramentas de comunicação e de coordenação,
e podemos pensar modos de organização dos grupos humanos, estilos de relações
entre os indivíduos e os coletivos radicalmente novos, sem modelos na história
e nas sociedades animais. (Levy, 2003, p.132)
O desenvolvimento de um novo espaço em que o homem tem total liberdade para compreender e discutir os seus conhecimentos, independentemente de qualquer sistema, é que fazem desta nova cultura, a cibercultura, um dos maiores sistemas de troca de informação já criados pelo homem.
Segundo Levy, (2003), uma das características mais forte da cibercultura, são as comunidades virtuais. Estas comunidades são, na verdade, espaços constituídos por indivíduos que possuem em comum, afinidades de interesses, conhecimentos, projetos mútuos, em processo de cooperação ou de troca, tudo independentemente das proximidades geográficas. As comunidades virtuais proporcionam aos internautas verdadeiros debates coletivos sobre um determinado tema, oferecendo assim um campo de prática mais aberto e participativo. Ele acredita que com as comunidades virtuais o homem pode abrir um leque cada vez maior de seus relacionamentos, e que a imagem do individuo isolado em frente a sua tela, e que o computador e suas redes irão lhes dar cada vez mais frieza, não condiz com a realidade.
A
cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que
não seria fundado sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais,
nem sobre relações de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de
interesse comuns, sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a
aprendizagem cooperativa, sobre processos abertos de abertos de colaboração. O
apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana
desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são os
motores, os atores a vida diversa e surpreendente do universo por contato(Levy,
2003, p.127)
A construção desses novos espaços de relacionamento, como as comunidades virtuais, vem proporcionando ao homem um constante desenvolvimento de novos comportamentos. O seu interesse por criações de novas comunidades, cada vez mais diversificadas, faz do Orkut um novo aliado dentro da cibercultura.
Segundo Telles (2007), o Orkut é um site de relacionamento que tem como sistema um enorme banco de dados repleto de informações demográficas abrangentes, preferenciais pessoais e informações sobre o meio social, além de servir como coleta de material intelectual.
Segundo dados do próprio Orkut[3], o site é definido como uma comunidade on-line com o objetivo de tornar a vida social das pessoas mais estimulante através de sua rede, além da possibilidade de criar comunidades próprias ou participar de varias delas.
Cada
usuário do Orkut possui uma conta e um perfil, no qual constam algumas características
pessoais do usuário, sua descrição física, listas de livros e música de sua
preferência, um texto de apresentação etc. Além disso, cada usuário pode
colocar como seus “amigos” outros usuários. Nesse aspecto, o Orkut é um grande
banco de dados sobre quem é amigo de quem, ou seja, sobre rede de
amizades.(Telles, 2007, p.22)
A criação dessas comunidades, onde as pessoas possam compartilhar suas obrigações sociais, ganhou grande força no âmbito da cibercultura. Hoje, o ciberespaço dispõe de varias dessas comunidades, onde praticamente todos que possuem acesso a internet, tem o contato ou participam delas.
Para Domingues, (1997), a criação destes novos espaços de discussão ideológicos dentro da internet, aumenta ainda mais a interatividade entre os indivíduos, fortalecendo naturalmente a própria cibercultura. A nova cultura da rede, por si só, estabelece processos de diálogos muito mais dinâmicos e rápidos, permitindo assim experiências mais eficazes sobre determinados assuntos. Surge então um novo espectador, mais participativo, dinâmico, cooperador, que através de interfaces tem uma capacidade maior de intromissão nas informações cedidas pelas fontes.
Imagens,
sons, textos são acumulados, transformados, devolvidos nas ondas do fluxo
eletrônico. São promovidos encontros de interações a distância, determinando o
surgimento de comunidades virtuais., em grupos que se formam e se estimulam por
conexões de idéias. As comunicações que se fazem na Net demandam um pensamento
associativo, não-linear, explorando estruturas manipuláveis, através de links,
que permitem abrir e fechar janelas do ciberespaço. Ásia, Europa, África se
instalam imediatamente em nossas casas, indivíduos estão co-ligados, geografias
são transplantadas, autores desaparecem nas trocas com outros autores através
de bancos de dados e terminais. O corpo assume a capacidade de circular o
planeta, entrando em zonas privadas de intimidade de casas, conecta-se numa
rede mundial. (Domingues, 1997, p.21)
O Orkut assim como todas as outras comunidades virtuais permitem a todos que participam, a troca e a difusão de informações independentemente dos seus espaços geográficos.
Segundo Levy (2003), a criação e a manutenção destas comunidades deu-se juntamente com o próprio desenvolvimento da internet. Para ele, na década de 70, apenas as sociedades acadêmicas podiam dispor de tal conhecimento, até que no final da década de 80, os jovens começaram cada vez mais a propagar um novo crescimento da comunicação baseada na informática, onde já era nítido o crescimento de espaços de encontros, de compartilhamentos e de invenções coletivas virtuais. Para Levy (2003), hoje se pode esperar é cada vez mais o aumento de novas comunidades mais diversificadas e mais interativas.
Para Telles (2007), a comunidade Orkut foi criada no dia 22 de janeiro de 2004, tendo como objetivo declarado criar uma nova rede de comunidades interligadas para que os participantes pudessem ter cada vez mais possibilidades interativas mais diversificadas. Segundo ele, o engenheiro de software turco, Orkut Büyükokten, teve a idéia do projeto da comunidade que leva o seu nome, quando estudava ainda estudava na Universidade de Standford, aperfeiçoando posteriormente enquanto trabalhava na empresa Google[4]. Hoje, segundo Telles (2007), cerca de mais de 50.000.000 usuários estão cadastrados em todo o mundo nesta comunidade, possuindo assim uma característica global.
É fato que
grande parte desse processo de mudanças e velozes transformação que todos
estamos vivenciando é decorrente de dois fatores principais: a globalização e o
desenvolvimento tecnológico. O mundo como conhecemos hoje faz parte desse
processo ou advém dele. A globalização está presente na realidade e no
pensamento, desafiando grande número de pessoas em todo o mundo. O
desenvolvimento da tecnologia acelerou o processo de globalização e vice-versa,
promovendo um ciclo contínuo e irreversível capaz de alterar culturas,
sociedades e o próprio homem. O Orkut faz parte da globalização e da evolução
tecnológica. (Telles, 2007, p.38)
A evolução e o crescimento tecnológico proporcionam cada vez mais a comunidades como Orkut, uma maior possibilidade de interatividade, aumentando cada vez o interesse e o número de pessoas para esta nova forma de cultura universal.
No Brasil, segundo Telles (2007), a comunidade Orkut começou a ter um aumento no número de pessoas cadastradas quando em 2005 ele ganhou uma versão brasileira em português, hoje, o Brasil tem o maior numero de pessoas cadastras do mundo. Para Telles (2007), outro fator que facilitou bastante para a grande aceitação desta comunidade pelos brasileiros, foi que também em 2005, o Orkut foi integrado ao sistema Google Accounts, onde para se ter acesso ao Orkut o usuário deve necessariamente estar cadastrado na rede Google, onde no Brasil, a empresa já atendia cerca de 18 milhões de pessoas, respondendo por mais de 70% das buscas na internet.
O movimento contínuo de interconexão
rumo a uma comunicação interativa de todos com todos é em si mesmo um forte
indício de que a totalização não ocorrerá, que as fontes serão sempre mais
heterogêneas, que os dispositivos mutagênicos e as linhas de fuga irão
multiplicar-se. (Levy, 2003, p.133)
O aumento expressivo de pessoas interessadas no Orkut em países como o Brasil, é que faz desta comunidade uma verdadeira potência no âmbito da comunicação virtual. As possibilidades interativas cada vez mais marcantes, além de atrair um número maior de pessoas, disseminam novas culturas e conhecimentos.
Levy (2003) compreende que a disseminação da cultura por meio do ciberespaço, através das comunidades virtuais, a cada dia torna os movimentos mais vigorosos, facilitando a fixação e o crescimento da cibercultura.
Está claro,
o movimento social e cultural que o ciberespaço propaga, um movimento potente e
cada vez mais vigoroso, não converge sobre um conteúdo particular, mais sobre
uma forma de comunicação não midiática, interativa, comunitária, transversal,
rizomática. Nem a interconexão generalizada, nem o apetite das comunidades
virtuais, nem tampouco a exaltação da inteligência coletiva constituem os
elementos de um programa político ou cultural no sentido clássico do termo. E
ainda assim, todos os três talvez sejam secretamente movidos por dois “valores”
essenciais: a autonomia e a abertura para a alteridade. (Levy, 2003, p.132)
O Orkut é hoje no Brasil, o melhor exemplo de uma comunidade virtual em plena efervescência, suas características contribuem muito para a disseminação da cibercultura. A simplicidade interativa, e o fácil manuseio fazem com que o interesse dos brasileiros pelo Orkut seja cada dia maior.
3. O Orkut na disseminação de manifestações culturais no Piauí
No estado do Piauí, parte das comunidades virtuais do Orkut tem uma boa relação de interatividade entre os seus participantes e as manifestações por elas cedidas. O que veremos no decorrer do capítulo , são que os maiores freqüentadores das discussões propostas pelas comunidades, acabam sendo também os disseminadores das manifestações culturais. Assim o que podemos ver hoje no Estado, é um grande aumento de expressões culturais trazidas do mundo virtual para o mundo real através de comunidades como estas.
3.1 Manifestações culturais piauienses no Orkut.
Segundo Telles (2007) a disseminação das novas manifestações culturais e a utilização do Orkut como novo meio para isso, possibilitou e ainda vem possibilitando diversas mutações sociais em todo o Brasil. Para Telles (2007) é possível analisar primeiramente as mudanças na própria linguagem, com o surgimento de gírias e neologismos. Para ele, quando Orkut chegou ao Brasil e ainda não existia uma versão em português, muitas expressões e linguagens que eram em inglês, foram apenas transpostas para a nossa língua, como é o caso do próprio scrap[5] e outros.
Telles (2007) considera que uma das principais técnicas que o Orkut possibilita na disseminação de idéias é o Marketing Viral, onde o objetivo principal é criar uma mensagem com conteúdos que possa ser absorvido pelas pessoas que entrem em contato com ela, assim sendo contagioso como um vírus. Para ele, a mensagem viral no Orkut tem de ser a mais contagiosa possível, tem que ter características bastante apelativas para que sejam passadas e repassadas pelos amigos da comunidades.
No Piauí, eventos culturais independentes trabalham esta forma de comunicação no Orkut. Elas são enviadas através de scraps, na rede de amigos de uma determinada pessoa. As mensagens são bastante envolventes e seguem uma linguagem de características bem simples e cheio de acentuações, como as exclamações, criando assim uma intimidade maior
como receptor para que as suas divulgações ganhem as maiores proporções possíveis. Vejamos o exemplo:

Mensagens, como a do exemplo acima, comprovam o que diz Telles (2007). Diz o autor que para se ter um melhor efeito de uma mensagem exposta no Orkut, o tratamento do receptor para o emissor deve ser bem apassivador e bem envolvente, para que o seu efeito seja ainda maior.
Algumas pessoas que usam esta ferramenta como propagadora de suas manifestações culturais, preferem muitas vezes utilizar uma linguagem mais simples e sem nem um tipo de artifício que deixem essas mensagens mais chamativas, como acontece no exemplo acima, assim naturalmente o receptor irá ler a mensagem pensando estar lendo um simples scrap. Outras pessoas já preferem formas de mensagens mais chamativas e coloridas, para que segundo elas, tenham um impacto maior sobre o receptor. Para Telles (2007) a responsabilidade de trabalhar nessa hora com o Marketing Viral depende muito da forma criativa de cada individuo, não basta apenas jogar mensagens cheias de interatividades, elas na verdade tem q ter uma característica bem mais objetiva e direta,para que assim não ocorra um processo de poluição de informações. Vejamos o exemplo:

O que podemos perceber é que muitos que fazem este tipos de manifestações, utilizam da mesma ferramenta, assim é possível observar um número muito grande de mensagens com o mesmo estilo apelativo, como nessa na paginas de recados. Assim é notável uma certa poluição visual, que muitas vezes acaba irritando o receptor que se nega a ver a mensagem. Hoje, o Orkut disponibiliza em serviços, o envio de scraps com vários tipos de mídia, como sons, vídeos além da própria mensagem escrita, o que acaba por piorar ainda mais esta poluição.
As mensagens menos chamativa, menos coloridas, e sem mídias para lhes preencher, se mostram mais eficazes quando a intenção é atrair pessoas, pois a forma simples das mensagens são naturalmente lidas e repassadas quando ela não tem um grau de poluição tão forte. Nesse caso, o que vale para a mensagem é o conteúdo escrito pelo emissor. Telles (2007) lembra bem que um cliente deve ser bem tratado por uma empresa para que ela ganhe assim uma fidelidade, logo ele sendo mau tratado irá falar mal também da empresa. Dessa mesma forma é o receptor, se ele não gostar da mensagem, de nada adiantará, ele irá apaga-la.
Levy (2003) lembra que em uma comunidade virtual,a raramente não acontecem conflitos que podem ter muitas vezes características bastantes brutais, fazendo com que muitas vezes gerem alianças dentro da própria comunidade, assim favorecendo o surgimento de grupos, e muitas vezes de novas comunidades.
A vida de uma comunidade virtual raramente transcorre sem conflitos, que podem
exprimir-se de forma bastante brutal nas contendas oratórias entre membros ou
nas flames durante as quais diversos
membros “incendeiam” aquele ou aquela que tenha infringido as regras morais do
grupo. Por outro lado, afinidades, alianças intelectuais, até mesmo amizades
podem desenvolver nos grupos de discussão, exatamente como entre pessoas que se
encontram regularmente para conversar. Para seus participantes, os outro
membros das comunidades virtuais são os mais humanos possível, pois seu estilo
de escrita, suas zonas de competência, suas eventuais tomadas de posição
obviamente deixam transparecer suas personalidades(Levy,2003, p.128)
Nas comunidades do Orkut no Piauí, discussões acaloradas são sempre constantes. Idéias e concepções diferentes acabam se entrelaçando dentro deste espaço, e cada um ganha aliados e inimigos. Essa possibilidade de discussões é sempre aumentada na criação de tópicos de discussões dentro da própria comunidade. Como acontece no exemplo abaixo:

É comum também que as comunidades recebam mensagens dos seus participantes para que os responsáveis por elas possam passar as informações devidas sobre uma manifestação cultural. Assim, muitas dessas manifestações são projetadas no mundo virtual até ganhar um sentido e expressões reais em um ambiente natural. Vejamos o exemplo:

O exemplo acima mostra a dúvida de um dos participantes em perguntar quando irá acontecer outro evento. Isso mostra que as comunidades do Orkut não tem um domínio amplo sobre os seus participantes, eles também podem contribuir para o andamento de seus avanços.
3.2 – A
propagação das manifestações culturais piauienses no Orkut
Telles (2007) leva em conta que o marketing viral é qualquer estratégia que encoraja os indivíduos a passar adiante sua mensagem de marketing, criando assim uma oportunidade de crescimento exponencial da exposição e influência desta mensagem. Relacionando com a afirmação do autor, no Piauí muitas comunidades no Orkut procuram formas de encorajar os seus participantes a terem um poder maior de participação dentro da própria comunidade para que assim eles possam disseminar ainda mais as suas ideologias. Como segue no exemplo:

As comunidades também criam tópicos que induzem a uma maior participação dos seus associados para assim poderem ter uma movimentação e um interesse maior. Estes artifícios podem ser criados também pelos próprios participantes, aumentando assim a sua capacidade de interferência dentro da comunidade.
Vejamos:

Segundo Telles (2007) esta possibilidade em que o Orkut tem de dar para a criação de tópicos de discussões nas comunidades, é vista também como mais um aliado do Marketing Viral. Para ele, em uma comunidade cedida no Orkut, facilmente pode ser publicado artigos que atraiam o interesse da maioria, e então assim a idéia pode ser mais fácil disseminada.
Nas comunidades piauienses do Orkut, fatores como a criação de tópico de manifestações culturais com intuitos de propagar uma determinada cultura ou simplesmente de discussão de como e onde irá acontecer um determinado evento pelos próprios participantes são muito comuns. Assim a capacidade de fortalecer cada vez mais a cibercultura local, alimentando o virtual e transpondo para real, se torna cada vez mais forte. Vejamos o exemplo:

Pode-se perceber também no exemplo acima um convite do participante para outra comunidade mais especifica sobre o tema a que ele botou em destaque.
A cibercultura é a expressão da
aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre
links territoriais, nem sobre relações institucionais, nem sobre relações de
poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns, sobre o
jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa,
sobre processos abertos de colaboração. O apetite para as comunidades virtuais
encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre. As
comunidades virtuais são os motores, os atores, a vida diversa e surpreendente
do universal por contato. (Levy, 2003, p.130)

O Orkut disponibiliza uma vasta gama de possibilidades onde os diversos tipos
de manifestações culturais, possuem espaços para discussões alem de também
possibilitar a ligação direta com alguns links e hipertextos que possam
contribuir para o enriquecimento das discussões. Como mostra o exemplo:
Isso torna dentro das comunidades do Orkut, um aumento de sua interatividade cada vez maior, possibilitando aos seus participantes uma maior compreensão dos discursos relacionados aos links.
3.3 - A
fidelidade das comunidades piauienses no Orkut em suas manifestações
culturais.
Segundo Levy (2007), naturalmente a maioria das comunidades virtuais estrutura as expressões assinadas por seus membros, todos seguem uma mesma linha, dentro da mesma comunidade. Ele afirma ainda que apesar dos seus participantes seguirem o mesmo raciocínio ideológico isso não os impedem que eles deixem expressa as suas opiniões pessoais.
Para aqueles que não participaram,
esclarecemos que, longe de serem frias, as relações on-line não excluem as
emoções fortes. Além disso, nem a responsabilidade individual nem a opinião
pública e seu julgamento desaparecem no ciberespaço. Enfim, é raro que a
comunicação por meio de redes de computadores substitua pura e simplesmente os
encontros físicos: na maior parte do tempo, é um complemento ou um adicional.
(Levy, 2003, p.128)
Para Levy (2003) as relações virtuais ainda não tem a capacidade de substituir os encontros físicos ou as próprias viagens, e que é um erro pensar que as comunidades virtuais podem substituí-las. Para ele, estas novas formas de comunicação funcionam ainda como uma soma para que os encontros sociais no mundo natural aconteçam de uma maneira mais rápida.
Segundo
Capucci (1997) A percepção do real induzida pelo virtual, dentro de comunidades
como o Orkut, favorece para mudanças nos cunhos sociais, desde as suas
representações culturais até as suas ações. O uso destas comunidades no Piauí para possibilitar encontros físicos são
muito freqüentes. A própria utilização do telefone ou até mesmo do próprio
e-mail, vem deixando de ter um uso mais freqüente com a utilização do Orkut.
Muitas manifestações culturais locais, também usufruem da utilização dessas
ferramentas, para a tentativa de reunir pessoas. Como ocorre no exemplo:

O que pode ser observado neste exemplo é a utilização de um evento com o mesmo nome da comunidade Orkut. Segundo Telles (2007), para que uma mensagem seja viral em uma comunidade como esta, o seu divulgador deve faze-la com que seja o mais contagiosa possível, assim é o que estamos observando no exemplo acima, o próprio nome do evento remete que a sua divulgação e suas informações aconteceram pelo próprio Orkut.
A possibilidade em que a disseminação de manifestações culturais dentro de comunidades do Orkut de serem distorcidas e caírem no meio comum, pode ser um fator negativo para a proliferação de ideais. O que deve ser levado em conta é que estas novas formas de comunicação ainda estão adentrando em um interior desconhecido, e que a sua vocação comunicativa e universal ainda tem um respaldo muito mais interessante.
O passo entre realidade e a
virtualidade é, então, rapidamente transposto: realidades virtuais sintetizadas
podem ser “percebidas” da mesma forma que as realidades naturais. As realidades
virtuais não dependem de uma ilusão perceptiva, nem mais questionam a noção de
realidade, mas alargam o campo da percepção, até então limitado somente aos
fenômenos físicos, estendendo-o aos mundos simulados.(Bret, 1997, p.106)
O autor lembra também que:
Esta ampliação do campo de percepção
não deixará de ter repercussão sobre as praticas criativas, e em particular,
nas produções dos artistas plásticos. A imagem e a musica sintética já tinham
criado um corte introduzindo as noções de modelos de processos no trabalho dos
artistas, o virtual sendo vivido como um simples intermediário, um defeito
facundo, para criar obras bem reais. Com as realidades virtuais, é a própria
materialidade da obra que é colocada em questão e, com ela, as relações entre
criador, espectador e a máquina. (Bret, 1997, p.107)
Podemos perceber que o crescimento da
utilização do Orkut para a propagação de manifestações culturais, tem sido
bastante intensificada no Piauí. Isso se deve pelo simples fato de que a
interatividade dentro do ciberespaço proporciona a criação de novas formas de
comunicação alternativa. A diversificação nas formas de comunicação dentro da
internet, possibilita ao homem novos aproveitamentos e disseminações da
informação, enriquecendo assim os seus conhecimentos e assim a sua própria
cultura.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As revoluções tecnológicas do final do séc XX sem dúvidas deram grandes contribuições para as transformações sociais que aconteceram e continuam acontecendo em todo o mundo. Da mesma maneira, também os movimentos sociais que antecederam a cibercultura contribuíram para o desenvolvimento das novas tecnologias.
Com as
crescentes revoluções sociais acontecidas principalmente no final da década de
Com a criação do ciberespaço, o homem viu suas possibilidades de disseminar e adquirir cultura intensificadas, independentemente do espaço geográfico que ocupe. Essa difusão grandiosa em que boa parte do mundo esta adentrado, o mundo virtual, cria novos hábitos, novos costumes de uma maneira bem mais universal, criando o que podemos chamar de uma “cultura virtual”. A interatividade proporcionada pelo ciberespaço faz do homem o seu alimentador: é ele quem nutre e ao mesmo tempo é nutrido de informações.
Por isso mesmo, observamos uma grande variedade de formas de expressão cultural dentro do ciberespaço. Uma de suas principais características são as comunidades virtuais, onde pessoas de interesses comuns se reúnem para discutir determinados assuntos. Estas comunidades servem de espinha dorsal para a propagação da cultura virtual, pois os participantes interagem de forma a criar um firme laço social dentro da cibercultura.
O desenvolvimento de comunidades virtuais, como no caso do Orkut, fez surgir diversos espaços diferentes, onde as pessoas com um mesmo objetivo possam se encontrar, e mesmo utilizar-se desta ferramenta como arma na divulgação de eventos e idéias.
No Piauí, a utilização do Orkut como meio propagador das manifestações culturais, tem tido um grande avanço. A sua utilização como novo meio de comunicação na divulgação dessas culturas, tem sido a cada dia, mais comum no Estado. A criação de comunidades para discussões em tido uma grande relevância no desenvolvimento da cibercultura local. As formas e as utilizações de linguagem para a disseminação cultural dentro deste meio também está tendo grandes mudanças. Cada vez mais os participantes tem que trabalhar uma criatividade específica para que as suas mensagens atinjam o máximo de leitores virtuais.
Com isso, o que podemos perceber é uma nova forma de relação entre homens e tecnologias. Antes a contribuição das manifestações é que fizeram o desenvolvimento de boa parte da tecnologia em que grandes partes da população mundiais estão inseridas, hoje, o que vem acontecendo é que estas mesmas tecnologias estão contribuindo na formação de novas manifestações culturais. Os encontros cedidos dentro das comunidades virtuais se transformam em verdadeiras reuniões para que seus participantes possam se organizar a respeito de um determinado assunto, e assim transpor da realidade virtual os seus ideais para as manifestações nos meios naturais.
O desenvolvimento da comunicação via rede, é sem dúvidas, uma das comunicações mais eficientes já criadas pelo homem. O surgimento de novos fenômenos da comunicação dentro da internet como Orkut no Brasil, apenas está começando a acontecer. A melhor definição para isso é que o homem está dando cada vez passos mais longos em uma estrada onde ele mal sabe aonde pode chegar. O futuro da comunicação disseminada no ciberespaço talvez seja uma das grandes promessas para este século, pois o seu desenvolvimento está levando o homem para propagações culturais cada vez mais amplas e universais, basta saber agora o que esta universalidade poderá contribuir para o homem no futuro.
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[1] Trabalho
de conclusão do curso de Bacharelado
[2] Bacharel
em Bacharelado
[3] Informações disponíveis na página inicial do site de relacionamentos Orkut.
[4] É uma das empresas mais importantes no
[5] Mensagens enviadas e recebidas pelos participantes do Orkut