UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Curso: Comunicação Social

Helena Martins do Rego Barreto

Mb.helena@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centro de Mídia Independente: A busca pela pluralidade de vozes através do uso das novas tecnologias de comunicação

 

Helena Martins ¹

 

 

 

 

 

 

Resumo: Este trabalho pretende fazer uma análise da atuação política através da internet tendo como foco de análise o Centro de Mídia Independente. Discutiremos ainda a veiculação de diversas informações e a possibilidade de democratizar a informação através das novas mídias, dando vez e voz a novos atores sociais.

 

 

Palavras-chave: Internet; Interatividade; Política. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1-      Graduanda em Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal do Ceará

1. Introdução

A comunicação é um direito humano, e como tal deve ser compreendida como instrumento e exigência essencial para o respeito e a dignidade de todos. No entanto, esse direito é pouco debatido e respeitado. Freqüentemente, vemos a comunicação ser tratada apenas como uma técnica, o que está longe de refletir a sua importância na sociedade atual, onde a mídia desempenha um papel central na construção de identidades e de coletividades e funciona como mediadora entre a realidade de fato e a idéia que fazemos dela, já que não estamos em todos os espaços tendo acesso direto ao que está ocorrendo.

            Diante da dificuldade de democratizar os meios tradicionais de comunicação e tendo em vista as novas possibilidades que surgem constantemente, diversos grupos têm recorrido às novas mídias para veicular suas histórias e propostas. Para Juliana Lúcia Escobar (2005), a internet representa uma tendência contrária à concentração dos meios de comunicação, contribuindo para a pluralização da comunicação.

 

“A Internet representa, no ponto de vista da emissão de mensagens, um contrapeso a esta institucionalização ao possibilitar a eliminação de alguns corpos intermediários no processo comunicativo. Ela faz do indivíduo emissor e, ao mesmo tempo, também produtor da mensagem, ou seja, o responsável pela sua formatação, pelas escolhas que vão definir a maneira como ela será recebida pelo receptor. Através da Internet, em alguns casos, tudo o que se coloca entre o emissor e o receptor é o meio físico (o computador) e os recursos técnicos (software), imprescindíveis ainda em qualquer comunicação indireta” (Escobar, 2005, p. 6).

 

Partindo desse pressuposto, procuramos abordar neste trabalho a atuação do Centro de Mídia Independente buscando perceber sua relação com a cibercultura. O CMI é um coletivo de ativistas que buscam possibilitar que todos se “tornem mídia”, tendo não apenas vozes, mas também meios para que essas vozes sejam divulgadas. No seu caso, rompem-se os esquemas tradicionais de emissor-receptor, permitindo que a comunicação ocorra de muitos para outros muitos de fato.

 

 

 

 

As primeiras teorias da comunicação consideravam que o emissor era o responsável pela formulação da mensagem para vários receptores que recebiam-na passivamente de forma acrítica. Nesses sistemas fixos de transmissão, não havia uma possível interação entre os participantes do processo comunicativo (POLISTCHUK, 2003: p.84). A participação ativa do receptor na decodificação e na compreensão das mensagens foi sendo levada em consideração com o desenvolvimento das teorias e das tecnologias da comunicação. Com o rádio e a televisão, tem-se alguma participação do receptor, mas ela ainda se dá de forma bastante limitada, como ligar para pedir uma música e trocar de canal ou estação.

O papel do receptor sofre uma mudança profunda nas últimas décadas com o desenvolvimento das novas tecnologias, como afirma Lucia Santaella.

 

“Com a introdução dos microcomputadores pessoais e portáteis, que nos anos 80 já estavam penetrando no mercado doméstico, os espectadores começaram a se transformar também em usuários. Isso significa que começou a mudar aí a relação receptiva no sentido único com o televisor para o modo interativo e bidirecional que é exigido pelos computadores”. (Santaella, 2003, p. 81)

           

Com a convergência tecnológica e o desenvolvimento de novas mídias, receptores e emissores passam a se confundir e a se fundir. Uma das principais características desse novo esquema é a interatividade que se dá entre os partícipes do processo comunicativo.  Para Pierre Levy (1999, p.74), o termo interatividade “ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação”. O autor destaca que o grau de interatividade pode ser medido através da valoração da possibilidade de reapropriação e de recombinação da mensagem. Deste modo, hoje, as tecnologias acenam para a possibilidade de uma comunicação, como chamou Lemos (2002) de todos para todos, de uma multiplicidade de vozes.

Essa pluralidade existente através das novas tecnologias permite a quebra do monopólio midiático tradicional. Com a possibilidade de acessar, produzir e veicular informação, tem-se a oportunidade de romper também a chamada espiral de silêncio. Através da internet, as mais diversas informações são veiculadas a um enorme público, possibilitando o agendamento de questões sociais antes “relegadas” pela mídia.

 

3. O Centro de Mídia Independente

 

            O Centro de Mídia Independente (CMI) consiste em uma rede de ativistas, colaboradores e coletivos que defendem e produzem uma mídia participativa e autônoma em oposição à mídia empresarial existente. Através de uma orientação política de esquerda explícita em seu projeto editorial ¹, o CMI pretende dar voz aos movimentos sociais e às lutas travadas por eles em todo o mundo, contribuindo para a construção de “uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente”². O grupo se apresenta como um projeto que utiliza a tecnologia para democratizar o acesso à informação.     

 

            “O CMI tem como objetivo a democratização dos meios de produção e distribuição de imagens, sons e textos a cerca dos movimentos sociais, grupos autônomos e comunidades sem os filtros oficiais; a livre e aberta troca de informações; a criação de laços e conexões entre elementos e grupos autônomos; e a colaboração mediante a coordenação descentralizada; tomadas de decisões através do consenso e a prática auto-gestionada de enredar-se. Possibilitando a construção de visões de mundo que apontam para igualdade, liberdade e respeito e preservação do meio ambiente.” ³ (Cazé, 2004).

 

A rede indymedia.org surgiu em 1999 em Seatle, nos Estados Unidos, durante as manifestações antiglobalização ocorridas nos encontros da Organização Mundial do Comércio. Esses encontros marcavam a “rodada do milênio” da OMC e tinham o propósito de discutir os rumos da política e da economia internacional. 

 

“Depois de Seattle vários outros CMIs foram montados, como em Portland, Filadélfia e Vancouver. Os protestos contra a biotecnologia em Boston, em março de 2000 e os protestos em Washington D.C. contra a reunião do FMI, organizado por uma coalizão de movimentos estadunidenses, também, colaboraram para a construção da rede nestes locais. Meses depois os esforços de alguns colaboradores, ativistas dos meios de comunicação viajaram e ajudaram a montar os CMIs em lugares como Praga, Buenos Aires e Barcelona, que ajudaram a rede se expandir rapidamente. A manifestação em Praga contra o capitalismo,

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1- Projeto editorial em anexo

2- Disponível em http://www.midiaindependente.org                                                                                 3 - Monografia disponível em http://brasil.indymedia.org/media/2005/10/332640.pdf

 

 

como resposta a reunião do FMI e Banco Mundial, expandiu a rede Indymedia pela Europa. Surgiram então os CMIs Barcelona, em

dezembro de 2000. Depois surgiram outros CMIs em Madrid, Euskal, Herria, Galicia e no Estrito de Gibraltar. Um exemplo da experiência latino-americana de mídia radical, o CMI Argentina nasce, segundo Pablo Boido (2003), nos dias 19 e 20 dezembro de 2001. Estes dias marcam uma nova dinâmica nas ações coletivas na Argentina e sua relação com os meios participativos e independentes (manifestação dos piqueteiros)”. (idem)

 

Como afirma Castells (2005, p.117), a conexão da mídia com a opinião pública do mundo inteiro foi favorecida pelo "Independent Media Center" de Seatle, gerando uma rede global de "centros independentes de mídia". Atualmente, existem mais de cem centros espalhados em cerca de trinta países divididos em todos os continentes. Para Cazé (2004), “O que permite a existência dessa rede de pessoas são as tecnologias de comunicação, como os computadores pessoais e a internet”.

Segundo Levy (1999, p.127), “Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesse, de conhecimento, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais”. Mas, como afirma o autor, a comunicação pela rede de computadores pode ser complementada por encontros presenciais. Desta forma, apesar de ser um movimento baseado na internet, ter como principais instrumentos os sites dos centros locais e se reunir em listas, chats, etc., os centros não se limitam à rede. Os coletivos regionais se encontram e atuam presencialmente desenvolvendo projetos locais enquanto também participam da gestão do site.

            Os projetos executados são os mais variados, indo desde montagem de rádios livres até a produção de jornais, realizando “uma ponte entre a alta tecnologia (Internet) e as tecnologias tradicionais de mídia”, como afirmam em sua apresentação no site oficial: www.midiaindependente.org. Desta forma, mesmo nestes projetos a internet tem um papel fundamental, pois facilita a distribuição dos materiais produzidos. Exemplos dessa mescla são os jornais locais e os arquivos de vídeo e áudio que são disponibilizados para download.

O site do CMI é alimentado pelos colaboradores através de uma publicação aberta. Isto é, qualquer pessoa pode veicular notícias, imagens, sons e vídeos no site. Neste sentido, o site é um canal livre através do qual toda a sociedade pode se manifestar. Depois de publicada, as notícias que não estiverem de acordo com a política editorial do site não são retiradas do ar, mas são encaminhadas para um link chamado “Artigos Escondidos”, para o qual são direcionadas também matérias repetidas ou posts sem conteúdo.

O incentivo à publicação aberta, ao copyleft, ao uso e à disponibilização de softwares livres e à ação política autônoma (“faça você mesmo”, como lemos em alguns espaços), aliado à falta de hierarquia do grupo e à política editorial já citada, remetem ao ideal da contracultura que, segundo Castells (2003), contribuiu para o desenvolvimento da internet e a sua formação como conhecemos hoje, na medida em que disseminou programas e conhecimentos.

 

Estrutura do Site do CMI:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O site é dividido em 4 partes:

Banner - Apresenta o site. Contém o logo do Indymedia, o banner do Brasil com o nome do site e uma barra de navegação, na qual se encontrará as informações mais importantes do site: Sobre o cmi, Ajuda, Contato, Seja Voluntário, Política Editorial, Notícias, Publique.

Coluna da esquerda - Aonde pode-se navegar através de todo o conteúdo do site, conhecer as outras seções e ver os links de todos os sites da rede global Indymedia.

Coluna do meio - É a "primeira página". Nela são publicadas as notícias mais importantes que aparecem na coluna da direita (publicação aberta) ou sugeridas pelos coletivos locais.

Coluna da direita - Aqui, pode-se escolher a versão de layout da página, checar o calendário local e global. Até a cor do site pode ser alterada de acordo com o gosto do internauta. É nela também aonde aparecem todas as notícias publicadas no site e o link para o arquivo de notícias.

4. Política no ciberespaço

 

Apesar de alguns avanços, vivemos em uma sociedade extremamente desigual, o que é refletido na revolução tecnológica e na cibercultura. Assim como não existem políticas efetivas de inclusão social, não há uma inclusão digital de fato. A difusão tecnológica é seletiva social e funcionalmente (Castells, 2003, p. 70). Nem todos têm a oportunidade de ter uma capacitação que facilite a compreensão das novas tecnologias e muitos não possuem recursos financeiros para pagar por elas. No entanto, mesmo considerando essa parcela da população, é sabido que a revolução da informação alcançou vários lugares em um curto espaço de tempo. Sua influência alterou até mesmo o modo de se atuar politicamente. Hoje, vemos no ciberespaço a atuação de grupos ligados a causas específicas. O modelo de rede é, neste sentido, um influenciador da chamada micropolítica. O advento de chats e listas de discussões facilitaram o contato entre os militantes e fortaleceu a chamada militância virtual, que tem a possibilidade de tornar-se ubíqua, de ultrapassar as barreiras locais e intervir internacionalmente. A partir daqui, os movimentos seguem, inclusive, uma tendência da economia: a globalização.

             A atuação política do Centro de Mídia Independente reflete essas transformações. No que se refere à inclusão social, o centro atua promovendo capacitações, disponibilizando programas e manuais de uso através do site. Em termos de micropolítica, o CMI atua principalmente junto a questões ligadas à mídia, à comunicação. No entanto, devido ao seu caráter descentralizado, aberto e plural, isso não é uma regra. A aproximação dos integrantes do centro aos diversos movimentos sociais pode ser percebida nos artigos postados, que versam sobre várias temáticas. No mais, o fato de ser uma organização internacional que se contacta bastante através de chats e listas de discussão também são características importantes para compreender o CMI nesta nova esfera política.

Para Castells, a nova dinâmica política é a chamada “política informacional”. Ao discutir o surgimento do "Independent Media Center" , ele pondera a importância desses movimentos para a mudança na sociedade.

 

 “(..) Movimentos qd hoc do tipo neo-anarquista substituem as organizações formais, estruturadas e permanentes. Movimentos emocionais, muitas vezes desencadeados por um evento de mídia, ou por uma crise de vulto, parecem muitas vezes ser fontes mais importantes de mudança social que a rotina diária de ONGs zelosas A  internet torna-se um meio essencial de expressão e organização para esses tipos de manifestação, que coincidem numa dada hora e espaço, provocam seu impacto através do mundo da mídia e atuam sobre instituições e organizações (empresas, por exemplo) por meio das re­percussões de seu impacto sobre a opinião pública. Esses movimentos pretendem conquistar poder sobre a mente, não sobre o Estado.” (Castells, 2005, p. 117)

 

Esta mudança no olhar ou no foco político não é dissociada da transformação que a sociedade em geral está passando com a disseminação das novas tecnologias e da cibercultura. Como o autor nos fala, o ciberespaço também está sendo disputado. Vê-se, por exemplo o grande número de sites, blogs e listas de discussão com temáticas políticas. É certo também que a internet ainda não chegou ao ápice de suas possibilidades, apesar de, em alguns lugares, já haver experiências no que tange à democracia eletrônica. Por isso, o autor lança uma inquietação: “Ocorre no ciberespaço uma transformação das regras do jogo político-social que acaba por afetar o próprio jogo - isto é, as formas e objetivos dos movimentos e dos atores políticos?” (idem, 114). Refletindo sobre essas possibilidades, ele afirma.

 

“A Internet encerra um potencial extraordinário para a expressão dos direitos dos cidadãos e a comunicação de valores humanos. Certamente não pode substituir a mudança social ou a reforma política. Contudo, ao nivelar relativamente o terreno da manipulação simbólica, e ao ampliar as fontes de comunicação, contribui de fato para a democratização. A Internet põe as pessoas em contato numa ágora pública, para expressar suas inquietações e partilhar suas esperanças. É por isso que o controle dessa agora pública pelo povo talvez seja a questão política "mais fundamental suscitada pelo seu desenvolvimento”.(idem, pág. 135)

 

A internet possibilita ainda o contato direto entre os representantes do povo e o próprio povo. Sites de prefeituras e de políticos podem aproximar as “ouvidorias”, as discussões e até mesmo as decisões aos cidadãos. “A interatividade torna possível aos cidadãos solicitar informação, expressar opiniões e pedir respostas pessoais a seus representantes. Em vez de o governo vigiar as pessoas, as pessoas poderiam estar vigiando o seu governo — o que é de tato um direito delas, já que teoricamente o povo é o soberano.” (idem, 128). A internet abre, portanto, duas possibilidades políticas: dentro do sistema atual, pode vir a fortalecer a democracia; fora do sistema representativo, pode vir a gerar outras maneiras de participação e de gestão social.

 

5. Direitos Autorais na rede

 

A valorização da propriedade responde às características de cada sociedade e de cada época. Pierre Levy (1999) nos recorda que a questão do autor toma força com a escrita, enquanto nas sociedades tradicionalmente orais tinha força o intérprete, que seria aquele que interpretaria um tema pertencente ao patrimônio cultural da sociedade. O desenvolvimento do conceito do artista como criador, inventor ou conceitualizador, não mais apenas como artesão ou inventor de uma tradição deu-se no período da Renascença. Hoje, com as mudanças sociais ocorridas e devido ao aumento do fluxo e da troca de informação, muitos consideram a tese da propriedade intelectual obsoleta.

Segundo Cazé, “Uma das características do sítio do CMI é o Copyleft, ou seja, a subversão dos direitos à propriedade autoral. Os textos, sons e vídeos estão livres para a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados. Desta forma, toda informação e conhecimento produzido estão sujeitos à circulação em grande escala pela rede técnica e podem ser utilizados por qualquer pessoa ou comunidade”, No site de documentos da indymedia¹, lemos uma explicação sobre a posição do movimento pelo copyleft:

“Depois de dois séculos de discussões sobre a propriedade intelectual associa-se a idéia do copyleft a uma ruptura com a idéia de que a obra do autor tenha como único estimulo para a criação a

 

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1 – Em http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilPublicacaoAbertaeSoftwareLivre

remuneração. O autor pode fazer uso de sua obra para sustentar-se, mas, sua obra é mais de que um bem exclusivo,é materialmente produto de um esforço coletivo, e como tal não pode ser vetada por lei que visa à proteção da propriedade material O movimento pelo copyleft se estende seguindo uma dinâmica social que se orienta a superar a qualquer legislação sobre a propriedade intelectual. Este movimento não pode ser entendido como produto de pirataria, um ato criminoso que só beneficia o interesse em obter lucro. Mas, como um movimento de libertação da cooperação social que reedifica os direitos dos verdadeiros autores através das licenças abertas, um novo modo de produção que retira o controle parasitário das corporações sobre as obras”.

O site do CMI tem ainda como princípio básico a publicação aberta. Assim, os artigos publicados podem ser disponibilizados em outros espaços desde que seja citada sua origem.

 

“Publicação Aberta significa que o processo de criação de notícias é transparente para os leitores. Eles podem contribuir com uma matéria e instantaneamente ver que seu artigo aparece junto com outros que estão disponíveis. Essas matérias são minimamente filtradas para ajudar os leitores a encontrar os artigos que desejam. Os leitores podem ter acesso às decisões editorias que são feitas por outros. Podem saber como se envolver e ajudar a tomar as decisões editoriais. Se eles acharem que há uma melhor forma do software ajudar as pessoas eles podem copiá-lo porque é livre e começar seu próprio site. Se quiserem redistribuir as notícias, também podem, preferivelmente num site de publicação aberta”. (Tradução Colaborativa do Texto de Matthew Arnison Sobre publicação aberta) (apud Cazé, 2004: 62)

 

         Esse modelo colaborativo está presente no formato wiki, no qual não há censura prévia, já que os comentários e complementos são adicionados livremente. No CMI e no indymedia, esse modelo é utilizado em todos os espaços e textos, até no projeto de apresentação da política editorial dos sites e dos grupos. Esse formato vai ao encontro das aspirações coletivas de um grupo que preza pela abertura, participação e voluntariado.

 “A documentação que você está lendo é redigida através do próprio site, utilizando o sistema Wiki, que é um conjunto de páginas públicas, as quais qualquer pessoa pode editar, adicionando ou removendo conteúdo. Algumas das grandes vantagens que o Wiki proporciona são a facilidade de se criar novas páginas e a facilidade de se linkar essas páginas, facilitando a criação de documentos maiores que podem ser subdivididos em quantas páginas forem necessárias”¹

 

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1- Em http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs#Ensaios_e_pesquisas_sobre_o_CM

6. Conclusão

 

Como nos alerta Adriane Figueiredo Martins (2004, p. 7), as novas tecnologias simbolizam a liberdade, pois “geram uma autonomia própria, uma comunicação bidirecional, onde cada indivíduo age sem intermediário, sem filtro, sem hierarquia, e tudo isto em tempo real, por toda essa abundância que os sistemas de informação oferecem”.

A busca do Centro de Mídia Independente pela possibilidade de ter “voz” e de se fazer “ouvir” representa, neste sentido, a busca pela liberdade. O CMI desempenha um papel fundamental no agendamento e na cobertura das pautas de diversos movimentos sociais, tendo se tornado, ao longo de sua breve história, uma referencial de informação para as pessoas envolvidas ou, pelo menos, sensíveis às temáticas e fatos ligados aos movimentos sociais.

Mas a experiência e a busca por um diferencial ainda é uma exceção na rede. Enquanto muitos profissionais utilizarem a internet pensando apensas nos segundos de diferença entre a postagem de sua matéria em relação à da concorrência e enquanto as pessoas se contentarem com a leitura de resumos do que foi publicado nos jornais impressos, estaremos deixando de aproveitar as inúmeras possibilidades desse meio. Estaremos, simplesmente, nos negando a ver o potencial que ele pode ter para colaborar com a transformação social. Logicamente, seria superficial achar que a internet resolverá nossos problemas políticos quando sabemos que eles estão arraigados em uma cultura que não preza pela participação política e quando sabemos que a exclusão digital ainda é um fato em nosso país.

Neste sentido, considero que o CMI é um exemplo de um bom uso das novas tecnologiais, de uma busca pela democratização da comunicação, ainda que ele sozinho não possa democratizar os meios de produção, veiculação e acesso.  

Este trabalho é apenas um começo, uma análise que, mesmo superficial, tem idéia de divulgar a existência do CMI e a pretensão de instigar uma reflexão sobre a mídia que produzimos e a que podemos produzir.

 

 

 

 

 

7. Anexos

Política Editorial do CMI Brasil

O Centro de Mídia Independente (CMI) Brasil é uma rede anticapitalista de produtores/as de mídia autônomos/as e voluntários/as. Com o objetivo de construir uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente; o CMI procura garantir espaço para que qualquer pessoa, grupo (de afinidade política, de ação direta, de artivismo) e movimento social - que estejam em sintonia com esses objetivos - possam publicar sua própria versão dos fatos.

Acreditamos que dessa maneira estaremos rompendo o papel de espectador(a) passivo/a e transformando a prática midiática. Para isso, o sítio do CMI funciona com um mecanismo de publicação aberta e automática, colocando no ar notícias, artigos, comentários, fotos, áudios e vídeos. Esse mecanismo rompe com a mediação do/a jornalista profissional e com a interferência de editores/as no conteúdo das matérias. As produções não são modificadas, salvo a pedido do/a autor(a), ou quando pequenas formatações são necessárias para facilitar sua exibição.                                                              São bem-vindas no CMI publicações que estejam de acordo com os princípios e objetivos da rede, como:

- relatos sobre o cotidiano dos/as oprimidos/as;
- relatos de novas formas de organização (como o Movimento Passe Livre, Movimento dos/as Trabalhadores/as Desempregados/as, as/os zapatistas no México, as/os piqueteiras/os na Argentina, as redes de economia solidária, etc.);
- denúncias contra o Estado e as corporações;
- iniciativas de comunicação independente (como rádios e TVs livres e comunitárias, murais e jornais de bairro, etc.);
- análises sobre a mídia;
- análises sobre movimentos sociais e formas de atuação política;
- produção audiovisual que vise a transformação da sociedade ou que retrate as realidades dos/as oprimidos/as ou as lutas dos novos movimentos.

O CMI defende a liberdade de conhecimento e de acesso a ele; para contribuir com a concretização destas liberdades, incentivamos o uso de softwares livres e a publicação em formatos livres (.ogg para áudio, .png para imagens, etc.) e em formatos proprietários públicos (.rtf e .pdf para textos, .mpg para vídeos, etc.). Não incentivamos o uso de formatos proprietários (.doc para texto, .ppt para apresentação de slides, etc.). Da mesma maneira, todo o conteúdo do sítio é disponibilizado sob a licença de copyleft (ver rodapé da página inicial), a não ser que o/a autor(a) mencione o contrário no artigo.

A intenção do CMI é unir esforços para uma real democratização da sociedade, primando sempre por privilegiar a perspectiva dos/as oprimidos/as. Em função disso, esperamos uma atitude construtiva e tolerante entre os/as participantes do sítio; afinal, queremos juntar forças, não lutar entre nós.

 

Sobre os artigos escondidos       

Com o crescimento do projeto, começaram a ocorrer diversos abusos da publicação aberta, como: publicação propositadamente repetida de artigos sem conteúdo, ou contrários aos princípios da rede CMI; publicação de mensagens das listas abertas do CMI como artigos; questionamentos à política editorial publicados como artigos; dentre outros vários casos. Sendo assim, para continuarmos oferecendo informação crítica de acordo com os objetivos listados acima, o coletivo editorial do CMI se reserva o direito de deslocar da coluna de publicação aberta artigos que:

- Sejam de cunho racista, sexista, homofóbicos ou em qualquer sentido discriminatórios;
- Contenham ofensas ou ameaças a pessoas ou grupos específicos. (Consideramos que há uma diferença entre crítica e ofensa: na crítica, há uma demonstração argumentativa de algo com que não se concorda; numa ofensa não há demonstração argumentativa alguma, e sim ataques infundados);
- Façam qualquer tipo de propaganda comercial;
- Tratem de assuntos esotéricos ou de pregações religiosas de maneiras que fujam de nossas propostas políticas;
- Visem promoção pessoal, promoção de algum candidato, candidata ou partido político;
- Visem apenas contatar pessoas ou o próprio CMI. (Para contatar pessoas, utilize as listas de discussão; para contatar o CMI, escreva para contato em midiaindependente.org);
- Sejam publicadas mais de uma vez, sendo que um texto publicado como comentário a uma matéria não pode ser publicado novamente como matéria independente;
- O/a autor(a) peça que sejam retirados;
- Sejam boatos conhecidos (hoax), informações falsas publicadas para desarticular mobilizações, mentiras comprovadas e tentativas de assumir a identidade de outra pessoa ou grupo, especialmente quando extremamente evidentes ou denunciadas pela própria pessoa ou grupo atingido;
- Sejam spam - ou seja, artigos deliberadamente publicados para atrapalhar o funcionamento da coluna de publicação aberta e/ou sabotar o sítio - que serão considerados como artigos sem conteúdo;
- Estejam contra os objetivos apresentados nesta política editorial ou em outros documentos públicos do Cento de Mídia Independente (Sobre o CMI, nota de copyleft, etc.).  

Lembramos a todos/as que as publicações contrárias a esta política editorial não são apagadas do sítio. Com o objetivo de dar transparência ao processo editorial, esses artigos continuam disponíveis ao público na seção Artigos Escondidos. A transparência do processo editorial se reflete também na lista do coletivo editorial, cujos arquivos são abertos ao público (Arquivo Lista Editorial), que pode, assim, acompanhar as discussões do coletivo editorial e dar sugestões e críticas através do correio eletrônico contato@midiaindependente.org.                                                                                              O Centro de Mídia Independente não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos da coluna de publicação aberta, especialmente quando há nelas dados suficientes para contatar o/a autor(a). Eventual direito de resposta a artigos será concedido como comentário ao mesmo artigo que se pretende responder, o que pode ser feito inclusive sem se contatar diretamente o coletivo editorial.

Coletivo editorial CMI Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

 

Livros

 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede. Vol. 1. Cap. 1. 7ª ed. Ed. Paz e Terra, 2003.

 

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet – reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. São Paulo: Jorge Zahar, 2005

 

LEMOS, André. Cibercultura. Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea. Porto Alegre, Sulina, 2002.

 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34, 1999.

LIMA, Venício A. de. Mídia, Teoria e Política. São Paulo, Editora Fundação Perseu   Abramo, 2001.

 

POLISTCHUK, Ilana & RAMOS TRINTA, A. Teorias da Comunicação. O pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

 

SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias a cibercultura. São Paulo, Paulus Editora, 2003.

 

 

Artigos

 

ESCOBAR, Lúcia Juliana. “A Internet e a Democratização da Informação – proposta para um estudo de caso”, 2005. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação / Linha: Novas Tecnologia

 

MARTINS, Adriane Figueirola. “Os processos persuasivos da política sob a concepção da cibercultura”, 2004. Trabalho apresentado ao NP 03 – Publicidade, Propaganda e Marketing, do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom.

 

Sites

 

Trabalho de Conclusão de Curso. CAZÉ, 2004. Disponível em: http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs#Ensaios_e_pesquisas_sobre_o_CMI

 

http://www.midiaindependente.org                                  

 

http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs