UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Curso: Comunicação Social
Helena Martins do Rego Barreto
Mb.helena@gmail.com
Centro de Mídia
Independente: A busca pela pluralidade de vozes através do uso das novas
tecnologias de comunicação
Helena Martins ¹
Resumo:
Este trabalho pretende fazer uma análise da atuação política através da
internet tendo como foco de análise o Centro de Mídia Independente.
Discutiremos ainda a veiculação de diversas informações e a possibilidade de
democratizar a informação através das novas mídias, dando vez e voz a novos
atores sociais.
Palavras-chave: Internet;
Interatividade; Política.
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1- Graduanda
1. Introdução
A comunicação é um direito humano, e como
tal deve ser compreendida como instrumento e exigência essencial para o
respeito e a dignidade de todos. No entanto, esse direito é pouco debatido e
respeitado. Freqüentemente, vemos a comunicação ser tratada apenas como uma
técnica, o que está longe de refletir a sua importância na sociedade atual,
onde a mídia desempenha um papel central na construção de identidades e de
coletividades e funciona como mediadora entre a realidade de fato e a idéia que
fazemos dela, já que não estamos em todos os espaços tendo acesso direto ao que
está ocorrendo.
Diante da dificuldade de
democratizar os meios tradicionais de comunicação e tendo em vista as novas
possibilidades que surgem constantemente, diversos grupos têm recorrido às
novas mídias para veicular suas histórias e propostas. Para Juliana Lúcia
Escobar (2005), a internet representa uma tendência contrária à concentração
dos meios de comunicação, contribuindo para a pluralização da comunicação.
“A
Internet representa, no ponto de vista da emissão de mensagens, um contrapeso a
esta institucionalização ao possibilitar a eliminação de alguns corpos
intermediários no processo comunicativo. Ela faz do indivíduo emissor e, ao
mesmo tempo, também produtor da mensagem, ou seja, o responsável pela sua
formatação, pelas escolhas que vão definir a maneira como ela será recebida
pelo receptor. Através da Internet, em alguns casos, tudo o que se coloca entre
o emissor e o receptor é o meio físico (o computador) e os recursos técnicos
(software), imprescindíveis ainda em qualquer comunicação indireta” (Escobar, 2005,
p. 6).
Partindo desse pressuposto, procuramos
abordar neste trabalho a atuação do Centro de Mídia Independente buscando
perceber sua relação com a cibercultura. O CMI é um coletivo de ativistas que
buscam possibilitar que todos se “tornem mídia”, tendo não apenas vozes, mas
também meios para que essas vozes sejam divulgadas. No seu caso, rompem-se os
esquemas tradicionais de emissor-receptor, permitindo que a comunicação ocorra
de muitos para outros muitos de fato.
As primeiras
teorias da comunicação consideravam que o emissor era o responsável pela formulação
da mensagem para vários receptores que recebiam-na passivamente de forma
acrítica. Nesses sistemas fixos de transmissão, não havia uma possível
interação entre os participantes do processo comunicativo (POLISTCHUK, 2003: p.84). A participação ativa do receptor na
decodificação e na compreensão das mensagens foi sendo levada em consideração
com o desenvolvimento das teorias e das tecnologias da comunicação. Com o rádio
e a televisão, tem-se alguma participação do receptor, mas ela ainda se dá de
forma bastante limitada, como ligar para pedir uma música e trocar de canal ou
estação.
O papel do
receptor sofre uma mudança profunda nas últimas décadas com o desenvolvimento das
novas tecnologias, como afirma Lucia Santaella.
“Com a introdução dos microcomputadores
pessoais e portáteis, que nos anos 80 já estavam penetrando no mercado
doméstico, os espectadores começaram a se transformar também
Com a convergência tecnológica e o
desenvolvimento de novas mídias, receptores e emissores passam a se confundir e
a se fundir. Uma das principais características desse novo esquema é a
interatividade que se dá entre os partícipes do processo comunicativo. Para Pierre Levy (1999, p.74), o termo
interatividade “ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação
de informação”. O autor destaca que o grau de interatividade pode ser medido
através da valoração da possibilidade de reapropriação e de recombinação da
mensagem. Deste modo, hoje, as tecnologias acenam
para a possibilidade de uma
comunicação, como chamou Lemos (2002) de todos para todos, de
uma multiplicidade de vozes.
Essa pluralidade existente através das
novas tecnologias permite a quebra do monopólio midiático tradicional. Com a
possibilidade de acessar, produzir e veicular informação, tem-se a oportunidade
de romper também a chamada espiral de silêncio. Através da internet, as mais
diversas informações são veiculadas a um enorme público, possibilitando o
agendamento de questões sociais antes “relegadas” pela mídia.
3. O Centro de Mídia Independente
O
Centro de Mídia Independente (CMI) consiste em uma rede de ativistas,
colaboradores e coletivos que defendem e produzem uma mídia participativa e autônoma
em oposição à mídia empresarial existente. Através de uma orientação política
de esquerda explícita em seu projeto editorial ¹, o CMI pretende dar voz aos
movimentos sociais e às lutas travadas por eles em todo o mundo, contribuindo para
a construção de “uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio
ambiente”². O grupo se apresenta como um projeto que utiliza a tecnologia para
democratizar o acesso à informação.
“O CMI tem como objetivo a democratização dos
meios de produção e distribuição de imagens, sons e textos a cerca dos
movimentos sociais, grupos autônomos e comunidades sem os filtros oficiais; a
livre e aberta troca de informações; a criação de laços e conexões entre
elementos e grupos autônomos; e a colaboração mediante a coordenação
descentralizada; tomadas de decisões através do consenso e a prática
auto-gestionada de enredar-se. Possibilitando a construção de visões de
mundo que apontam para igualdade, liberdade e respeito e preservação do meio
ambiente.” ³ (Cazé, 2004).
A rede indymedia.org
surgiu em 1999 em Seatle, nos Estados Unidos, durante as manifestações antiglobalização
ocorridas nos encontros da Organização Mundial do Comércio. Esses encontros marcavam
a “rodada do milênio” da OMC e tinham o propósito de discutir os rumos da
política e da economia internacional.
“Depois de Seattle vários
outros CMIs foram montados, como em Portland, Filadélfia e Vancouver. Os protestos
contra a biotecnologia em Boston, em março de 2000 e os protestos
............................................................................
1- Projeto
editorial em anexo
2-
Disponível em http://www.midiaindependente.org
3 - Monografia disponível em http://brasil.indymedia.org/media/2005/10/332640.pdf
como resposta a reunião do FMI e Banco Mundial, expandiu a rede Indymedia pela Europa. Surgiram então os CMIs Barcelona, em
dezembro de 2000. Depois surgiram outros CMIs em Madrid, Euskal, Herria, Galicia e no Estrito de Gibraltar. Um exemplo da experiência latino-americana de mídia radical, o CMI Argentina nasce, segundo Pablo Boido (2003), nos dias 19 e 20 dezembro de 2001. Estes dias marcam uma nova dinâmica nas ações coletivas na Argentina e sua relação com os meios participativos e independentes (manifestação dos piqueteiros)”. (idem)
Como afirma Castells (2005, p.117), a conexão da mídia com
a opinião pública do mundo inteiro foi favorecida pelo "Independent
Media Center" de Seatle, gerando uma rede global de "centros
independentes de mídia". Atualmente, existem mais de cem centros
espalhados em cerca de trinta países divididos em todos os continentes. Para Cazé
(2004), “O que permite a existência dessa rede de pessoas são as tecnologias de
comunicação, como os computadores pessoais e a internet”.
Segundo Levy (1999, p.127), “Uma comunidade virtual é
construída sobre as afinidades de interesse, de conhecimento, sobre projetos
mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente
das proximidades geográficas e das filiações institucionais”. Mas, como afirma
o autor, a comunicação pela rede de computadores pode ser complementada por
encontros presenciais. Desta forma, apesar de ser um movimento baseado na
internet, ter como principais instrumentos os sites dos centros locais e se
reunir em listas, chats, etc., os centros não se limitam à rede. Os coletivos
regionais se encontram e atuam presencialmente desenvolvendo projetos locais enquanto
também participam da gestão do site.
Os projetos executados são os mais
variados, indo desde montagem de rádios livres até a produção de jornais,
realizando “uma ponte entre a alta tecnologia (Internet) e as tecnologias
tradicionais de mídia”, como afirmam em sua apresentação no site oficial: www.midiaindependente.org. Desta forma, mesmo nestes projetos a internet tem um
papel fundamental, pois facilita a distribuição dos materiais produzidos.
Exemplos dessa mescla são os jornais locais e os arquivos de vídeo e áudio que
são disponibilizados para download.
O site do CMI é alimentado pelos colaboradores
através de uma publicação aberta. Isto é, qualquer pessoa pode veicular
notícias, imagens, sons e vídeos no site. Neste sentido, o site é um canal livre
através do qual toda a sociedade pode se manifestar. Depois de publicada, as
notícias que não estiverem de acordo com a política editorial do site não são
retiradas do ar, mas são encaminhadas para um link chamado “Artigos
Escondidos”, para o qual são direcionadas também matérias repetidas ou posts
sem conteúdo.
O incentivo à publicação aberta, ao copyleft, ao uso
e à disponibilização de softwares livres e à ação política autônoma (“faça você
mesmo”, como lemos em alguns espaços), aliado à falta de hierarquia do grupo e
à política editorial já citada, remetem ao ideal da contracultura que, segundo
Castells (2003), contribuiu para o desenvolvimento da internet e a sua formação
como conhecemos hoje, na medida em que disseminou programas e conhecimentos.
Estrutura
do Site do CMI:

O site é dividido em 4
partes:
4. Política no ciberespaço
Apesar de alguns avanços, vivemos em uma
sociedade extremamente desigual, o que é refletido na revolução tecnológica e na
cibercultura. Assim como não existem políticas efetivas de inclusão social, não há uma inclusão digital de fato. A
difusão tecnológica é seletiva social e funcionalmente
(Castells, 2003, p. 70). Nem todos têm a
oportunidade de ter uma capacitação que facilite a compreensão das novas
tecnologias e muitos não possuem recursos financeiros para pagar por elas. No entanto, mesmo
considerando essa parcela da população, é
sabido que a revolução da informação alcançou vários lugares em um curto espaço de tempo. Sua influência alterou até
mesmo o modo de se atuar politicamente.
Hoje, vemos no ciberespaço a atuação de grupos ligados a causas específicas.
O modelo de rede é, neste sentido, um influenciador da chamada micropolítica. O advento de chats e listas de discussões facilitaram
o contato entre os militantes e fortaleceu a chamada militância virtual, que tem a
possibilidade de tornar-se ubíqua, de
ultrapassar as barreiras locais e intervir
internacionalmente. A partir daqui, os movimentos seguem, inclusive, uma
tendência da economia: a globalização.
A
atuação política do Centro de Mídia Independente reflete essas transformações. No
que se refere à inclusão social, o centro atua promovendo capacitações,
disponibilizando programas e manuais de uso através do site. Em termos de
micropolítica, o CMI atua principalmente junto a questões ligadas à mídia, à
comunicação. No entanto, devido ao seu caráter descentralizado, aberto e
plural, isso não é uma regra. A aproximação dos integrantes do centro aos
diversos movimentos sociais pode ser percebida nos artigos postados, que versam
sobre várias temáticas. No mais, o fato de ser uma organização internacional
que se contacta bastante através de chats e listas de discussão também são
características importantes para compreender o CMI nesta nova esfera política.
Para Castells, a nova dinâmica política é a chamada
“política informacional”. Ao discutir o surgimento do "Independent Media
Center" , ele pondera a importância desses movimentos para a mudança na
sociedade.
“(..) Movimentos qd
hoc do tipo neo-anarquista substituem
as organizações formais, estruturadas e permanentes. Movimentos emocionais,
muitas vezes desencadeados por um evento de mídia, ou por uma crise de vulto, parecem
muitas vezes ser fontes mais importantes de mudança social que a rotina diária
de ONGs zelosas A internet torna-se um meio essencial de
expressão e organização para esses tipos de manifestação, que coincidem numa
dada hora e espaço, provocam seu impacto através do mundo da mídia e atuam
sobre instituições e organizações (empresas, por exemplo) por meio das repercussões
de seu impacto sobre a opinião pública. Esses movimentos pretendem conquistar
poder sobre a mente, não sobre o Estado.” (Castells, 2005, p. 117)
Esta mudança no olhar ou no foco político não é dissociada
da transformação que a sociedade em geral está passando com a disseminação das
novas tecnologias e da cibercultura. Como o autor nos fala, o ciberespaço
também está sendo disputado. Vê-se, por exemplo o grande número de sites, blogs
e listas de discussão com temáticas políticas. É certo também que a internet
ainda não chegou ao ápice de suas possibilidades, apesar de, em alguns lugares,
já haver experiências no que tange à democracia eletrônica. Por isso, o autor
lança uma inquietação: “Ocorre no ciberespaço uma
transformação das regras do jogo político-social que acaba por afetar o próprio
jogo - isto é, as formas e objetivos dos movimentos e dos atores políticos?” (idem, 114). Refletindo sobre essas
possibilidades, ele afirma.
“A Internet encerra um potencial
extraordinário para a expressão dos direitos dos cidadãos e a comunicação de valores humanos.
Certamente não pode substituir a mudança social ou a reforma política. Contudo,
ao nivelar relativamente o terreno da manipulação simbólica, e ao ampliar as
fontes de comunicação, contribui de fato para a democratização. A Internet põe
as pessoas em contato numa ágora pública, para expressar suas inquietações e
partilhar suas esperanças. É por isso que o controle dessa agora pública pelo
povo talvez seja a questão política "mais fundamental suscitada pelo seu
desenvolvimento”.(idem, pág. 135)
A internet possibilita ainda o contato direto entre
os representantes do povo e o próprio povo. Sites de prefeituras e de políticos
podem aproximar as “ouvidorias”, as discussões e até mesmo as decisões aos
cidadãos. “A interatividade torna possível aos
cidadãos solicitar informação, expressar opiniões e pedir respostas pessoais a
seus representantes. Em vez de o governo vigiar as pessoas, as pessoas poderiam
estar vigiando o seu governo — o que é de tato um direito delas, já que
teoricamente o povo é o soberano.” (idem, 128). A internet abre,
portanto, duas possibilidades políticas: dentro do sistema atual, pode vir a fortalecer
a democracia; fora do sistema representativo, pode vir a gerar outras maneiras
de participação e de gestão social.
5. Direitos Autorais na rede
A valorização da propriedade responde às
características de cada sociedade e de cada época. Pierre Levy (1999) nos
recorda que a questão do autor toma força com a escrita, enquanto nas
sociedades tradicionalmente orais tinha força o intérprete, que seria aquele
que interpretaria um tema pertencente ao patrimônio cultural da sociedade. O
desenvolvimento do conceito do artista como criador, inventor ou
conceitualizador, não mais apenas como artesão ou inventor de uma tradição
deu-se no período da Renascença. Hoje, com as mudanças sociais ocorridas e
devido ao aumento do fluxo e da troca de informação, muitos consideram a tese
da propriedade intelectual obsoleta.
Segundo Cazé, “Uma das características do
sítio do CMI é o Copyleft, ou seja, a subversão dos direitos à propriedade
autoral. Os textos, sons e vídeos estão livres para a reprodução para fins não
comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados. Desta forma, toda
informação e conhecimento produzido estão sujeitos à circulação em grande
escala pela rede técnica e podem ser utilizados por qualquer pessoa ou
comunidade”, No site de documentos da indymedia¹, lemos uma explicação sobre a
posição do movimento pelo copyleft:
“Depois de dois séculos
de discussões sobre a propriedade intelectual associa-se a idéia do copyleft a
uma ruptura com a idéia de que a obra do autor tenha como único estimulo para a
criação a
......................................................
1
– Em http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilPublicacaoAbertaeSoftwareLivre
remuneração. O autor pode fazer uso de sua obra
para sustentar-se, mas, sua obra é mais de que um bem exclusivo,é materialmente
produto de um esforço coletivo, e como tal não pode ser vetada por lei que visa
à proteção da propriedade material O movimento pelo copyleft se estende
seguindo uma dinâmica social que se orienta a superar a qualquer legislação
sobre a propriedade
intelectual. Este movimento não pode ser entendido como produto de pirataria,
um ato criminoso que só beneficia o interesse em obter lucro. Mas, como um
movimento de libertação da cooperação social que reedifica os direitos dos
verdadeiros autores através das licenças abertas, um novo modo de produção que
retira o controle parasitário das corporações sobre as obras”.
O site do CMI tem ainda como princípio
básico a publicação aberta. Assim, os artigos publicados podem ser
disponibilizados em outros espaços desde que seja citada sua origem.
“Publicação Aberta significa que o
processo de criação de notícias é transparente para os leitores. Eles podem
contribuir com uma matéria e instantaneamente ver que seu artigo aparece junto
com outros que estão disponíveis. Essas matérias são minimamente filtradas para
ajudar os leitores a encontrar os artigos que desejam. Os leitores podem ter
acesso às decisões editorias que são feitas por outros. Podem saber como se
envolver e ajudar a tomar as decisões editoriais. Se eles acharem que há uma
melhor forma do software ajudar as pessoas eles podem copiá-lo porque é livre e
começar seu próprio site. Se quiserem redistribuir as notícias, também podem,
preferivelmente num site de publicação aberta”. (Tradução Colaborativa do Texto
de Matthew Arnison Sobre publicação aberta) (apud Cazé, 2004: 62)
Esse modelo colaborativo está presente no formato
wiki, no qual não há censura prévia, já que os comentários e complementos são
adicionados livremente. No CMI e no indymedia, esse modelo é utilizado em todos
os espaços e textos, até no projeto de apresentação da política editorial dos
sites e dos grupos. Esse formato vai ao encontro das aspirações coletivas de um
grupo que preza pela abertura, participação e voluntariado.
“A documentação que você está lendo é redigida
através do próprio site, utilizando o sistema Wiki, que é um conjunto de
páginas públicas, as quais qualquer pessoa pode editar, adicionando ou
removendo conteúdo. Algumas das grandes vantagens que o Wiki proporciona são a
facilidade de se criar novas páginas e a facilidade de se linkar essas páginas,
facilitando a criação de documentos maiores que podem ser subdivididos em
quantas páginas forem necessárias”¹
............................................................................
1- Em http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs#Ensaios_e_pesquisas_sobre_o_CM
6. Conclusão
Como nos alerta Adriane Figueiredo
Martins (2004, p. 7), as novas tecnologias simbolizam a liberdade, pois “geram
uma autonomia própria, uma comunicação bidirecional, onde cada indivíduo age
sem intermediário, sem filtro, sem hierarquia, e tudo isto em tempo real, por
toda essa abundância que os sistemas de informação oferecem”.
A busca do Centro de Mídia Independente
pela possibilidade de ter “voz” e de se fazer “ouvir” representa, neste
sentido, a busca pela liberdade. O CMI desempenha um papel fundamental no
agendamento e na cobertura das pautas de diversos movimentos sociais, tendo se
tornado, ao longo de sua breve história, uma referencial de informação para as
pessoas envolvidas ou, pelo menos, sensíveis às temáticas e fatos ligados aos
movimentos sociais.
Mas a experiência e a busca por um
diferencial ainda é uma exceção na rede. Enquanto muitos profissionais utilizarem
a internet pensando apensas nos segundos de diferença entre a postagem de sua
matéria em relação à da concorrência e enquanto as pessoas se contentarem com a
leitura de resumos do que foi publicado nos jornais impressos, estaremos deixando
de aproveitar as inúmeras possibilidades desse meio. Estaremos, simplesmente,
nos negando a ver o potencial que ele pode ter para colaborar com a transformação
social. Logicamente, seria superficial achar que a internet resolverá nossos
problemas políticos quando sabemos que eles estão arraigados em uma cultura que
não preza pela participação política e quando sabemos que a exclusão digital
ainda é um fato em nosso país.
Neste sentido, considero que o CMI é um
exemplo de um bom uso das novas tecnologiais, de uma busca pela democratização
da comunicação, ainda que ele sozinho não possa democratizar os meios de
produção, veiculação e acesso.
Este trabalho é apenas um começo, uma
análise que, mesmo superficial, tem idéia de divulgar a existência do CMI e a
pretensão de instigar uma reflexão sobre a mídia que produzimos e a que podemos
produzir.
7. Anexos
Política
Editorial do CMI Brasil
O
Centro de Mídia Independente (CMI) Brasil é uma rede anticapitalista
de produtores/as de mídia autônomos/as e voluntários/as. Com o objetivo de
construir uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente; o
CMI procura garantir espaço para que qualquer pessoa, grupo (de afinidade
política, de ação direta, de artivismo) e movimento social - que estejam em
sintonia com esses objetivos - possam publicar sua própria versão dos fatos.
Acreditamos
que dessa maneira estaremos rompendo o papel de espectador(a) passivo/a e
transformando a prática midiática. Para isso, o sítio do CMI funciona com um
mecanismo de publicação aberta e automática, colocando no ar notícias, artigos,
comentários, fotos, áudios e vídeos. Esse mecanismo rompe com a mediação do/a
jornalista profissional e com a interferência de editores/as no conteúdo das
matérias. As produções não são modificadas, salvo a pedido do/a autor(a), ou
quando pequenas formatações são necessárias para facilitar sua exibição.
São bem-vindas no CMI
publicações que estejam de acordo com os princípios e objetivos da rede, como:
- relatos sobre o cotidiano dos/as oprimidos/as;
- relatos de novas formas de organização (como o Movimento Passe Livre,
Movimento dos/as Trabalhadores/as Desempregados/as, as/os zapatistas no México,
as/os piqueteiras/os na Argentina, as redes de economia solidária, etc.);
- denúncias contra o Estado e as corporações;
- iniciativas de comunicação independente (como rádios e TVs livres e
comunitárias, murais e jornais de bairro, etc.);
- análises sobre a mídia;
- análises sobre movimentos sociais e formas de atuação política;
- produção audiovisual que vise a transformação da sociedade ou que
retrate as realidades dos/as oprimidos/as ou as lutas dos novos movimentos.
O
CMI defende a liberdade de conhecimento e de acesso a ele; para contribuir com
a concretização destas liberdades, incentivamos o uso de softwares livres e a
publicação em formatos livres (.ogg para áudio, .png para imagens, etc.) e em
formatos proprietários públicos (.rtf e .pdf para textos, .mpg para vídeos,
etc.). Não incentivamos o uso de formatos proprietários (.doc para texto, .ppt
para apresentação de slides, etc.). Da mesma maneira, todo o conteúdo do sítio
é disponibilizado sob a licença de copyleft (ver rodapé da página inicial), a
não ser que o/a autor(a) mencione o contrário no artigo.
A
intenção do CMI é unir esforços para uma real democratização da sociedade,
primando sempre por privilegiar a perspectiva dos/as oprimidos/as. Em função
disso, esperamos uma atitude construtiva e tolerante entre os/as participantes
do sítio; afinal, queremos juntar forças, não lutar entre nós.
Sobre os artigos escondidos
Com
o crescimento do projeto, começaram a ocorrer diversos abusos da publicação
aberta, como: publicação propositadamente repetida de artigos sem conteúdo, ou
contrários aos princípios da rede CMI; publicação de mensagens das listas
abertas do CMI como artigos; questionamentos à política editorial publicados
como artigos; dentre outros vários casos. Sendo assim, para continuarmos
oferecendo informação crítica de acordo com os objetivos listados acima, o
coletivo editorial do CMI se reserva o direito de deslocar da coluna de
publicação aberta artigos que:
- Sejam de cunho racista, sexista, homofóbicos ou em qualquer sentido
discriminatórios;
- Contenham ofensas ou ameaças a pessoas ou grupos específicos.
(Consideramos que há uma diferença entre crítica e ofensa: na crítica, há uma
demonstração argumentativa de algo com que não se concorda; numa ofensa não há
demonstração argumentativa alguma, e sim ataques infundados);
- Façam qualquer tipo de propaganda comercial;
- Tratem de assuntos esotéricos ou de pregações religiosas de maneiras
que fujam de nossas propostas políticas;
- Visem promoção pessoal, promoção de algum candidato, candidata ou
partido político;
- Visem apenas contatar pessoas ou o próprio CMI. (Para contatar
pessoas, utilize as listas de discussão; para contatar o CMI, escreva para
contato em midiaindependente.org);
- Sejam publicadas mais de uma vez, sendo que um texto publicado como
comentário a uma matéria não pode ser publicado novamente como matéria
independente;
- O/a autor(a) peça que sejam retirados;
- Sejam boatos conhecidos (hoax), informações falsas publicadas para
desarticular mobilizações, mentiras comprovadas e tentativas de assumir a
identidade de outra pessoa ou grupo, especialmente quando extremamente
evidentes ou denunciadas pela própria pessoa ou grupo atingido;
- Sejam spam - ou seja, artigos deliberadamente publicados para
atrapalhar o funcionamento da coluna de publicação aberta e/ou sabotar o sítio
- que serão considerados como artigos sem conteúdo;
- Estejam contra os objetivos apresentados nesta política editorial ou
em outros documentos públicos do Cento de Mídia Independente (Sobre o CMI,
nota de copyleft, etc.).
Lembramos
a todos/as que as publicações contrárias a esta política editorial não são
apagadas do sítio. Com o objetivo de dar transparência ao processo editorial,
esses artigos continuam disponíveis ao público na seção Artigos Escondidos. A
transparência do processo editorial se reflete também na lista do coletivo
editorial, cujos arquivos são abertos ao público (Arquivo
Lista Editorial), que pode, assim, acompanhar as discussões do coletivo
editorial e dar sugestões e críticas através do correio eletrônico contato@midiaindependente.org.
O Centro de Mídia Independente não se responsabiliza pelo conteúdo dos
artigos da coluna de publicação aberta, especialmente quando há nelas dados
suficientes para contatar o/a autor(a). Eventual direito de resposta a artigos
será concedido como comentário ao mesmo artigo que se pretende responder, o que
pode ser feito inclusive sem se contatar diretamente o coletivo editorial.
Coletivo
editorial CMI Brasil
Bibliografia
Livros
CASTELLS, Manuel.
A sociedade em Rede. Vol. 1. Cap. 1. 7ª ed. Ed. Paz e Terra, 2003.
CASTELLS, Manuel.
A Galáxia da Internet – reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. São Paulo: Jorge Zahar,
2005
LEMOS, André. Cibercultura. Tecnologia e Vida Social na
Cultura Contemporânea. Porto Alegre, Sulina, 2002.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34, 1999.
LIMA, Venício A. de. Mídia, Teoria e Política. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.
POLISTCHUK, Ilana &
RAMOS TRINTA, A. Teorias da Comunicação.
O pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Campus,
2003.
SANTAELLA,
Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias a cibercultura. São Paulo, Paulus Editora, 2003.
Artigos
ESCOBAR, Lúcia Juliana. “A Internet e a
Democratização da Informação – proposta para um estudo de caso”, 2005. Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ) - Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação /
Linha: Novas Tecnologia
MARTINS, Adriane Figueirola. “Os processos
persuasivos da política sob a concepção da cibercultura”, 2004. Trabalho apresentado ao NP 03 – Publicidade,
Propaganda e Marketing, do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom.
Sites
Trabalho de Conclusão de
Curso. CAZÉ, 2004. Disponível em: http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs#Ensaios_e_pesquisas_sobre_o_CMI
http://www.midiaindependente.org
http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilDocs