Nesta
edição especial:
O "Exame Nacional de Cursos" 2003, o Provão,
será realizado no próximo domingo. No X Cobrecos, em janeiro,
o movimento estudantil de comunicação reafirmou seu repúdio
a essa pretensa avaliação, apontando a entrega das provas
em branco como forma de protesto.
Nos próximos
dias, divulgaremos a carta oficial da Executiva esclarecendo a importância
do boicote neste ano. Por enquanto, fique com este texto com dicas para
o boicote.
Não
deixe de entrar em contato com os diretores de sua região. Seja
para esclarecer uma dúvida, seja para informá-lo de como
está a discussão na sua escola. Os contatos da diretoria
da ENECOS estão neste IE Especial.
___________________________________________________________________________________________________
|
|
BOICOTE
PASSO A PASSO
Estas sugestões
são baseadas nas experiências do boicote da Escola de Comunicações
e Artes da USP, em 99, e do boicote da Universidade Federal de Alagoas
em 2002. Claro que cada escola tem suas particularidades, mas a idéia
aqui foi dar opções e repassar experiência para
o aprofundamento do debate sobre o provão e o conseqüente
aumento do boicote nas escolas:
Obtenção
da relação de quem estará fazendo a prova e respectivos
endereços com a secretaria do departamento.
Envio de carta do centro acadêmico convidando os formandos para
os debates e para reuniões entre eles mesmos para definir a realização
do boicote. A partir daí o Centro Acadêmico (CA) já
colocou a sua posição, mas deixou claro que a decisão
final de boicote seria, como deve ser, do próprio grupo.
Preparação de um material para cada formando sobre avaliação
institucional contendo a posição do CA em defesa do boicote.
Neste material também havia textos sobre avaliação
institucional para fundamentar as discussões e a prova do exame
do ano anterior, que é um excelente ponto contra o próprio
provão.
O material foi entregue pessoalmente a cada formando permitindo, assim,
mais um espaço para o CA colocar e justificar sua posição.
Foi obtido, através do conselho do departamento, uma resolução
que apoiava "a decisão que os formando tomarem". Isso
é necessário para evitar problemas junto aos colegiados
gerais da universidade.
Foram realizados debates com os formandos dos dois turnos sobre o provão.
As aulas foram suspensas, e houve a presença também dos
professores. A mesa foi composta pela Pró-reitora de Graduação,
um membro da comissão de especialistas, um representante da ENECOS
(Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social)
e um do Centro Acadêmico. Achamos importante fazer uma discussão
com toda a escola, não só com os que iam fazer a prova.
Isso é importante tanto para aumentar o esclarecimento da escola
como um todo, quanto para informar os alunos que poderão fazer
a prova. A imprensa foi convidada para este debate, assim como outros
CAs que também fariam o provão.
Foram nestes debates que se discutiu a posição do boicote
e que se decidiu que ele deveria, existindo, ser explícito, declarado
e assinado.
Houve uma reunião, com uma certa antecedência da prova,
reunindo os alunos dos dois turnos que iriam fazer o provão,
para se tirar uma posição de grupo sobre o boicote.
Após decidirem pelo boicote, foi feita uma carta que foi assinada
pelos formandos e enviada à imprensa antes do dia da prova.
No dia da prova o CA fez mobilização nos locais de prova
e distribuiu os adesivos da campanha.
Conseguiu-se também que a chefia do departamento se negasse a
participar de uma "correção" da prova, no melhor
estilo vestibular, como a imprensa desejava.
Na época do lançamento dos resultados, nos preparamos
para dar declarações sobre o nosso boicote, primeiro para
que ele ficasse claro como tal, segundo para nos defender dos ataques
e declarações como "boicote irresponsável,
ou irracional" como de fato apareceram.
Este ano
também pretendemos:
Levar a discussão para outros cursos na sua universidade, com
o boicote unificado. Isto é estratégico para reduzir o
atual isolamento no boicote, que hoje, ocorre muito mais em jornalismo,
mas que pode ser estendido, principalmente nos cursos que tem centros
acadêmicos estruturados.
Fazer o mesmo em relação a outros cursos de jornalismo.
Usar como outro argumento o manifesto do Fórum Nacional em Defesa
da Escola Pública (Fondep) contra o provão, pois dele
participam várias entidades representativas da universidade.
Levar o debate sobre a natureza do provão e as razões
do boicote para o maior número de fóruns possíveis.
É
necessário entender que:
É fundamental que os membros da executiva e dos CAs compreendam
o que é o provão, suas conseqüências e os argumentos
dos seus defensores para se encarar o debate e se realizar o boicote.
Como diz o próprio Paulo Renato, o provão é uma
batalha que ocorre na mídia. Tem que se estar não só
para o boicote, como para nos colocarmos claramente para esta mídia,
impedindo que o provão vire algo "natural".
O boicote tende a ser na maior parte dos casos uma briga com os professores
da escola em cargos de chefia, que tentam evitá-los para evitar
briga e não sujar o "nome" da escola. Tem que se ter
consciência disso para evitar que o departamento tome medidas
que pressionam os alunos ainda mais a fazer a prova.
Há uma necessidade nítida de sempre colocar nosso discurso
não como contra, ou com medo da avaliação, mas
a favor de uma avaliação de verdade. É essencial
que exista material consistente sobre isso disponível no site
da Enecos no período dos debates sobre o provão e nas
discussões com a mídia.
A pessoa pode até entender e não concordar com o provão,
mas que só uma decisão tomada em grupo conseguirá
sustentar o boicote, ao dar o amparo para que a pessoa tenha a coragem
de não fazer a prova, e ao conquistar os indecisos quanto a fazer
ou não o provão.
___________________________________________________________________________________________________
|
|
CARTA
ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA
Nós, da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação
Social (ENECOS), Centros e Diretórios Acadêmicos de Comunicação,
esclarecemos as razões que nos levam a não legitimar o
Exame Nacional de Cursos (Provão) do MEC e justificar o nosso
boicote coletivo que será realizado no dia 8 de junho. As explicações
são necessárias, pois entendemos que os motivos que levam
os estudantes a boicotarem o Provão são geralmente vistos
de forma distorcida.
O
sistema de avaliação dos cursos de graduação
implementado pelo MEC - o Exame Nacional de Cursos (Provão) e
a chamada Avaliação das Condições de Oferta
(ACO) - ao primar pela superficialidade, não constitui um instrumento
adequado de averigüação do potencial formador de
uma faculdade. A avaliação responsável pela ligeira
análise do currículo, do corpo docente e das instalações
- a ACO - foi efetuada uma única vez desde que implementada em
1996. Com isso, esse sistema de avaliação baseia-se quase
que unicamente no Provão. Entendemos ser impossível avaliar
todo um curso de graduação tendo como base um único
teste realizado pelos
alunos em nome de sua instituição de ensino. De fato,
o Provão constitui uma alternativa de avaliação
barata, bastante cômoda e fácil para os responsáveis
pelo funcionamento do ensino superior. O Provão avalia (e mal)
apenas o estudante, como se estivesse avaliando o curso inteiro. Como
resultado, produz um ranking que nada diz sobre a qualidade de um curso,
mas que apenas coloca as universidades em disputa por migalhas do MEC.
Ou seja, é a forma que o MEC encontra para aparentar que se preocupa
com o ensino no país. Vale lembrar ainda que tal sistema vem
sendo utilizado não para diagnosticar problemas e buscar sua
solução - objetivo comum a todo mecanismo sério
de avaliação -, mas para punir aquelas instituições
que apresentam deficiências muitas vezes decorrentes da política
implementada pelo próprio MEC e da escassez de recursos para
a educação.
Dessa maneira,
o Provão não passa de um instrumento para legitimar a
ausência do Estado como gestor da educação. No caso
do ensino privado, facilita a abertura de cursos com estruturas cada
vez mais precárias. Também não revela as deficiências
dos cursos já existentes, para que estes sejam aperfeiçoados
ou até remodelados. No caso do ensino público, avalia
a própria incapacidade - ou desinteresse - em gerir as Universidades,
cuja maioria depende exclusivamente de verbas estatais e se encontram
defasadas em seu corpo docente, em seus equipamentos de aula, entre
outros. Além disso, o Provão é um instrumento imposto
pelo MEC através de uma Medida Provisória que não
conta com a aprovação de nenhum setor organizado da sociedade,
já que não há a participação da própria
comunidade acadêmica na sua construção.
A mudança
de Governo nos revela boas expectativas de debate, antes sempre ignoradas
por FHC e Paulo Renato. Desde o início do novo Governo, o MEC
vem buscando abrir espaço para que professores, estudantes e
especialistas em educação discutam uma nova proposta de
Avaliação Institucional. Nesse sentido, a ENECOS apóia
e está à disposição dessas iniciativas,
para que possamos construir, também com o Governo, uma nova avaliação
para o ensino superior.
Por esses
motivos, acreditamos que o boicote ao Provão 2003 é um
dos instrumentos que possuímos para questionar e desmascarar
as distorções da prova aplicada pelo Ministério
da Educação. Com o boicote, também mantemos nossos
posicionamentos e a coerência de nossa ação política,
uma vez que até agora não tivemos garantia de que essa
suposta avaliação será extinta em 2004. Boicotar
agora, com esse novo Governo, significa mostrar, de uma vez por todas,
que repudiamos o Provão como forma de avaliação
institucional. E que, junto à sociedade, queremos construir uma
avaliação de verdade, que pontue os problemas e proponha
soluções.
:: Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
___________________________________________________________________________________________________
|
|
CONTATOS DA DIRETORIA
DA ENECOS
enecos@enecos.org.br
Coordenação
Geral
Raquel Casiraghi - UFRGS (raquelcasiraghi@yahoo.com.br)
Tamara Menezes - UFF (ta_menezes@ig.com.br)
Uyara de Sena - Unifor (uyarab@yahoo.com.br)
Coordenação
de Comunicação
Danilo Nikolaïdis - USP (riograndedaserra@yahoo.com.br)
Coordenação
de Finanças
Monique Amaral - Unisinos (monique.amaral@bol.com.br)
Regional
SE1 - SP
Iano Maia - PUCCamp (ianomaia@uol.com.br)
Pedro Malavolta - USP (pedrozm@terra.com.br)
Regional
SE2 - RJ
Carlos Leal - UFRJ (cleal81@yahoo.com.br)
Fernanda Guedes - UFF (super-nanda@ig.com.br)
Pedro Prata - UERJ (pedroprata@bol.com.br)
Regional
SE3 - MG e ES
Felipe Castanheira - Fumec (pipingad@hotmail.com)
Jacson Segundo - UFES (jacson2@ig.com.br)
Regional
Sul
Micheline Michaelsen - UFRGS (micheempoa@ig.com.br)
Débora Remor - UFSC (decakn@yahoo.com.br)
Sabrina de Souza - PUCPR (menina_de_jornal@yahoo.com.br)
Regional
NE1 - BA, SE e AL
Juci de Santana - UCSal (juci_fs@hotmail.com)
Camila Cavalcante - UFAL (camilacpha@yahoo.com.br)
Regional
NE2 - PE, PB e RN
Isabel Marinho - UFPE (bel_marinho@hotmail.com)
Rafael Duarte - UFRN (rafaelduart@hotmail.com)
Regional
NE3 - PI, CE e MA
Victor Castelo Branco - UFPI (victor_cb@email.com)
Alessandra Oliveira - Unifor (aleoliver@noolhar.com)
Luciano Ferreira - UFMA (lluckiano@yahoo.com.br)
Regional
Centro-Oeste
Bráulio Ribeiro - Icesp (cacicbaulio@yahoo.com.br )
Flávia Azevedo - UCB (fdrica@yahoo.com.br)
Perla Popov - Icesp (perlapopov@yahoo.com.br)
Regional
Norte
Cirlene Oliveira - UFPA (cirleneoliveira@yahoo.com.br)
Helaine Martins - UFPA (helainemartins@globo.com)
___________________________________________________________________________________________________
|