Qualidade de Formação em Comunicação Social

Seções:

Avaliação Institucional
As avaliações do MEC (se é que podem ser assim chamadas)
Provão
Avaliação das Condições de Oferta
Enquanto isso nas escolas...
E a ENECOS?

Diretrizes Curriculares
Reformas curriculares
Mas qual pode ser o melhor caminho?

O Movimento Nacional pela Qualidade de Formação em Comunicação (MNQFC)
Mais do que qualidade de ensino, qualidade da formação

HISTÓRIAS...



Introdução
Pensar em qualidade do ensino é pensar num questionamento constante sobre o papel da Universidade, a educação e a profissão. É uma reflexão política no sentido de criar possibilidades de organização e mobilização.
Mas na atual conjuntura, onde nas universidades públicas, a comunidade acadêmica se sente cada vez mais abandonada, e nas particulares, peças de uma estrutura comercial de prestação de serviços com interesses quase puramente mercantis, a possibilidade de retomar a responsabilidade social dessas entidades, se torna cada vez mais difícil. Mas não impossível. Por que as possibilidades de atuação são muitas.
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AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

Esse deve ser o principal instrumento para se chegar a uma melhoria do ensino, porque é através dele que é possível detectar problemas e suas soluções. Além de ser um processo natural dentro das escolas. Quantas vezes encontramos grupos de alunos ou professores reclamando uns dos outros ou da instituições em que estão, ou discutindo ótimas idéias que, se implementadas, poderiam melhorar e muito a realidade de cada um? Será que esses problemas são exclusivos de determina da escola? Seria difícil unir essas iniciativas e críticas?
Não. Pelo simples motivo de que essa é uma das nossas maiores necessidades e funções: discutir de forma geral as escolas de Comunicação Social incluindo a sala de aula, a pesquisa e extensão.
Para isso é necessário um modelo de avaliação que traga para o dia a dia das escolas uma cultura de questionamento e auto-questinamento constante, uma estrutura na qual todos os setores da Universidade e as pessoas que os compõe se sentem partes e agentes responsáveis pela melhoria da instituição, da educação e da profissão em geral.
A formação do comunicador não pode se restringir a capacitação técnica do profissional. Deve abranger a formação humanística, cultural, ética e política do comunicador.
Ficar alheio a essa discussão significa aceitar o modelo de ensino atual tecnicista, fragmentado e que não condiz com o perfil de comunicador e universidade que a sociedade precisa. Significa aceitar a exclusão da democracia e do exercício da cidadania no nosso dia a dia.

As avaliações do MEC (se é que podem ser assim chamadas)
Os atuais métodos de avaliação do Ministério da Educação vão exatamente contra esse ideal. E vieram ignorando todo o processo dessas discussões que acontecia dentro das escolas e entidades da área. São métodos autoritários, que não tem em vista o aprimoramento da instituição, nem a valorização da Universidade como agente de transformação social e que incentivam apenas as posturas clientistas de professores e alunos. Enquanto desintegram as universidades públicas.

Provão
Uma avaliação que se resume a uma letra e ignora o tripé ensino, pesquisa e extensão que deveria formar Universidade, avaliando apenas o aluno (e muito mal!).
Foi imposto pelo governo federal com o único objetivo de ranquear os cursos, criar centros de excelência para direcionar a verba para poucos e transformar os outros em escolões do terceiro grau, sem produção de conhecimento e crítica. Transformando a Universidade apenas em produtora de mão de obra especializada.
Mas para arquitetar isso tudo não é fácil. Em primeiro lugar é preciso muito autoritarismo para passar por cima da autonomia universitária e de projetos debatidos na sociedade (como o PAIUB e a CINAEM), depois é preciso muito dinheiro. Só com o provão gasta-se mais de seis milhões de reais por ano. E por último, mas não menos importante, é preciso ter uma mídia governista e puxa-saco.
E o resultado? O governo se desresposabiliza da educação para se tornar um fiscalizador, enquanto destroe o bom ensino superior ( o fundamental e o médio já
foram!) e aparece como o grande bem feitor!!!
Para entender melhor o porque das críticas da ENECOS ao Provão, você pode ler os textos da Executiva a esse respeito na seção Documentos e Textos.

Avaliação das Condições de Oferta
É colocado como um processo que avalia a universidade como um todo, mas a simples informação de que isso se faz em vistas de no máximo dois dias, já põe em cheque a pretensão.
É mais uma vez algo feito apenas pelo MEC e que vem de fora para dentro das escolas, de forma autoritária e subjetiva, tentando impor um tipo de curso que alguns "doutos senhores" julgavam o ideal. Além de ser um levantamento meramente quantitativo, por exemplo, verificavam a titulação e a dedicação dos professores e a existência de um projeto pedagógico, mas não o seu cumprimento, ou o preparo didático pedagógico dos docentes e o cumprimento das ementas disciplinares.
Pesquisa e Extensão? Ops, esqueceram novamente!
Vale lembrar que não são raros os casos em que a direção do curso pinça aqueles alunos que só falam bem da instituição para serem entrevistados pela comissão do MEC, e antes alertam os alunos de que falar mal da escola pode prejudicar muito o curso!

Enquanto isso nas escolas...
A hierarquia muitas vezes imposta, de direção e docentes "superiores" e alunos "inexperientes inferiores" impede uma análise e busca de soluções conjunta.
Aí aparecem mascaradas no rótulo bonito de "avaliação institucional", métodos superficiais e estanques que não envolvem a comunidade acadêmica e, às vezes, servem apenas para "comprovar" o quanto a escola é boa, ou para cumprir a exigência do MEC (que para reconhecer o curso, obriga-o a ter uma avaliação interna)
O melhor exemplo disso são os grandes levantamentos quantitativos, que muitas escolas fazem, através de questionários distribuídos a alunos e professores (Isso nos melhores casos, é claro!).
Parece até que há um convênio com alguma empresa, que nada entende da realidade universitária, que elabora os questionários para as escolas, pois as muitas faculdades que chamam isso de um processo de avaliação, eles são extremamente parecidos: não se baseiam no projeto pedagógico do curso, pois afinal servem para qualquer área de ensino, parece um jogo de loteria ou o gabarito do vestibular e são sempre superficiais e nunca qualitativos.
A existência de laboratórios, por exemplo, é levada em conta, mas as condições e sua utilização, não. É um método onde as não existe lugar para a inter-relação dos setores da universidade ou a interdisciplinariedade.
O resultado são tabelas estatísticas feitas por computadores onde a média das médias das médias não refletem mais nada.
Idéias como debates são rarrísimas. Afinal, o aluno é sempre visto como causador de problemas, para quem nada, nunca está bom.
Ah, se eles soubessem que esses pirralhos tem boas idéias...
Ah, se esses pirralhos trocassem a apatia por mostrar suas idéias...

E a ENECOS?
A história da Executiva está recheada com este assunto. São projetos, seminários, lista de discussão, articulação com outras entidades da área etc. Tudo isso para que o movimento estudantil cumpra sua função na luta pela qualidade de ensino.

Histórico
Em 1994 a principal pauta do Mecom passa ser a qualidade de ensino. A necessidade de aprofundar essa discussão começa com uma pesquisa nacional para saber qual era a realidade dos 93 cursos na época espalhados pelo país. 44 escolas responderam os questionários, que resultou num documento denominado Análise Descritiva das Escolas de Comunicação Social do Brasil. A conclusão foi assustadora: Nenhuma das respondentes cumpria todas as exigências da (já na época defasada) resolução 02/84 do MEC, que regulamentava o curso de Comunicação Social e a comunidade acadêmica estava estagnada.
Essa pesquisa foi o primeiro passo para se pensar em novas iniciativas que pudessem discutir as escolas de comunicação com a participação de alunos, professores e profissionais.
Em 1995 foi criado o Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino, quando se juntaram à ENECOS algumas entidades da área de Comunicação, como a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Compós (Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação), Abecom (Associação Brasileira de Escolas de Comunicação), Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação), Fitert (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Rádio e TV) e UCBC (União Cristã Brasileira de Comunicação).
O objetivo era construir um projeto de Avaliação para os cursos de Comunicação. Essa idéia era inspirada pelo PAIUB (Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras), que estava em expansão e já tinha recebido adesões voluntárias de 94 universidades, pois se aproximava do tipo de avaliação que as escolas julgavam necessária e ideal, contemplando avaliação interna, externa e reavaliação de formas globais.
A carta de intenções do Movimento foi lançada em setembro de 1996, no Congresso da Intercom . Mas a Articulação entre as entidades não acontecia de forma plena e o movimento perdia forças.
No Cobrecos de 1996, foi aprovado que a executiva combateria o recém criado Exame Nacional dos Cursos, o Provão. No mesmo ano, no Enecom de Florianópolis, a ENECOS lançou a campanha "Fiscalize sua Escola!", que levou para as escolas através de cartilhas a discussão dos parâmetros de qualidade de ensino propondo que os próprios estudantes fossem os agentes de uma avaliação permanente.
Em 1997, o projeto "Avaliação pra Valer" que incluía a construção de um modelo de avaliação, apesar de já aparecer como prioridade, demorava a ganhar um rumo definido.
Em maio de 98, o V Cobrecos aprova o documento "Avaliação pra Valer" e a resolução de boicote ao Provão.
Ainda naquele, ano as entidades se voltam para a construção das Diretrizes Curriculares, ficando de lado o projeto de Avaliação, e em junho, a campanha de boicote ao Provão consegue 10,6% de provas em branco no Jornalismo.
Maio de 1999, ocorre o Seminário Avaliação pra Valer, onde é criado o GET (Grupo de Estudo e Trabalho) Avaliação pra Valer, que iria formular um projeto a partir da discussão ocorrida o que resultou em vários documentos de diretrizes para uma avaliação.
A tentativa de levar a discussão às escolas apenas com esses documentos não deu certo.
Agora vamos lá!
Em setembro deste ano, ocorre o Seminário Avaliação pra Valer em Campo Grande. A partir das premissas do Documento Final do Get e de propostas feitas pelo ex-coordenador geral da Executiva, João Brant, é elaborado um projeto de avaliação para os cursos de Comunicação para ser discutido e adaptado a realidade de cada escola.
Chegou a hora de por em prática! De levar para dentro das escolas o sonho de uma avaliação construída coletivamente, transformadora, permanente, responsável e global. Essa, agora, é a nossa grande luta!!!
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DIRETRIZES CURRICULARES

Histórico
Em 1996 é aprovada a Nova Lei de Diretrizes e Bases para a Educação e decretado o fim dos currículos mínimos, a resolução 002/84, há tempos defasada sai de cena, e seriam fixadas Diretrizes Curriculares.
A discussão delas começam em maio de 98, durante o II Seminário sobre Qualidade de Ensino em Comunicação, onde foram discutidas bases de um programa nacional de estímulo à qualidade da formação em Comunicação. A Comissão de Especialistas em Comunicação do MEC (CEE-COM) comparece ao Seminário e faz o convite às entidades presentes para a participação na construção das diretrizes curriculares do curso de Comunicação.
A primeira reunião acontece em fevereiro de 99, em Brasília, depois é divulgado e suscita discussão em todo o país a respeito dos currículos de Comunicação. A proposta de Documento Final sai no começo de julho de 99.
Este ano, a discussão ganha força, quando alguns professores da área de jornalismo afirmavam que o documento apresentado pelas entidades e pela CEE-COM ao MEC não contemplava algumas de suas reivindicações e pedem a criação de uma Comissão de Especialistas exclusiva para jornalismo. O MEC, através do CNE, dá parecer contrário, mas esses mesmos professores são indicados para fazer a Avaliação das Condições de Oferta de Jornalismo, promovida pela SESU/MEC.
Entra a nova Comissão de Especialistas em Comunicação Social e elabora os Padrões de Qualidade para os cursos da área.
Em 3 de abril de 2001, são aprovadas as diretrizes curriculares com o parecer CNE/CES 492/01.

Reformas curriculares
Mesmo antes da formulação e aprovação dessas diretrizes, iniciou-se por todo o país um agitado processo de reformas curriculares. Como explicar isso? Só o jeitinho brasileiro!
Uma boa associação para a maioria das reformas curriculares é o Teatro "A revolução das cadeiras" de Ionescu. Na peça, as cadeiras estão ao redor de uma mesa pensando a revolução até que depois de muita elaboração, elas fazem a revolução: todas mudam de lugares e comemoram a conquista da revolução. As mesmas cadeiras ao redor da mesma mesa!
É assim que vem ocorrendo a maioria das reformas curriculares, só que em processos apressados e antidemocráticos. Muitas vezes as reformulações saem dos gabinetes diretores, não mudam a essência do curso e usam representantes discentes (em minoria) para legitimar a decisão da maioria
As Diretrizes Curriculares aprovadas este ano, dão linhas gerais para a formação em Comunicação e aumentam a liberdade e a autonomia para as universidades elaborarem seus currículos.
Isso, no entanto, abre espaço para as "picaretagens", que mascarados por rótulos de "inovações" e pela desobrigação de seguir um currículo mínimo, constróem os currículos de forma a ter mais lucro.
E as premissas de dar maior flexibilidade e dinamismo aos cursos podem acabar pregando adaptações (muitas vezes de vontades de poucos) e produzindo um curso cada vez mais técnico.
Nas escolas públicas a grade de ensino vai sendo adaptada à falta de professores e de verbas, sucumbindo ao desmonte do ensino superior brasileiro.
Essas restruturações ocorrem muitas vezes sem a reflexão necessária sobre o que é o projeto pedagógico e o currículo.
O currículo é a expressão do projeto acadêmico que estabelece qual o perfil de formando desejado, quais as competências e habilidades esperadas, como a escola se propõe a formar esse estudante. Na maioria das vezes, são poucos os cursos com os objetivos claros e definidos e a grade curricular (antes e depois da reforma) não passa de um amontoado de disciplinas desconexas com belas ementas, que em muitos casos, são descumpridas, para o professor ministrar um conteúdo com o qual "tem mais intimidade".
E a tão falada interdiciplinariedade? Muitas escolas resolvem esse fantasma com remendos em disciplinas totalmente desconexas.

Mas qual pode ser o melhor caminho?
Construção coletiva, é claro! Muitas vezes é difícil, devido em grande parte devida a síndrome de superioridade de docentes e diretoria frente aos alunos. Cabe aos alunos fazerem tudo o que for possível para tirar esses processos dos gabinetes e levar para os principais interessados: TODA a comunidade acadêmica.
O primeiro passo é a definição do projeto pedagógico e quais procedimentos pedagógicas serão utilizadas para atingir-se aquele objetivo. É nele que estará definido o perfil de curso que será adotado, respeitando-se as diferenças que o ensino de Comunicação pode e deve ter. É nessa hora que a comunidade acadêmica não pode esquecer-se de que as habilitações fazem parte de um campo comum que é a Comunicação Social e que o que forma uma Universidade é ensino, pesquisa e extensão.
O que deve ser esquecido é a dicotomia teoriaXprática, pensando num projeto de ensino onde cada uma está enraizada na outra. Teoria e prática poderiam estar numa mesma disciplina, que exercitaria o fazer e, ao mesmo tempo, o refletir sobre o fazer.
Um projeto acadêmico com objetivos e idéias claras se reflete num currículo dinâmico e flexível. Essa é a hora de se pensar nas disciplinas, sua ementas e relações.
Por fim, que esse nunca pode ser um processo estanque. Aí entra a tão necessária avaliação, que envolve todos os setores da universidade num repensar contínuo do projeto pedagógico e de sua efetivação.
E se já passou?
Em muitas escolas a reformulação dos currículos tem início, meio e fim. E esse fim parece ser definitivo, impossibilitando mudanças necessárias. O que fazer se quando todo esse rico processo não aconteceu e a grande parte da comunidade acadêmica foi excluída?
O processo de reformas curriculares deve ser um processo contínuo, mas mesmo se for colocado como terminado, a maioria das escolas faz periodicamente uma revisão curricular, que e agora são obrigadas a fazer, baseadas nos Padrões de Qualidade formulados pela Comissão de Especialistas do MEC. É preciso acompanhar isso muito de perto... Sem se esquecer de que nada adianta lutar por um bom currículo se essa luta não for ainda maior por avaliações responsáveis e justas, professores qualificados, infra-estrutura adequada e tudo o que forma o ensino em Comunicação.
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O Movimento Nacional pela Qualidade de Formação em Comunicação

Foi para tentar intensificar o debate acerca de algumas dessas questões que, em 1995, surge o Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino em Comunicação, que trocaria após alguns anos a expressão Ensino por Formação. Diversas entidades ligadas à Comunicação, estudantis, profissionais, sociais e acadêmicas, perceberam a necessidade de se unir em torno do objetivo comum de se melhorar a qualidade de ensino nos cursos. Atualmente contando com a ENECOS, Compós, FENAJ, Intercom, ABECOM e UCBC, o Movimento busca discutir currículos, Avaliação Institucional e outros temas ligados à formação do estudante de Comunicação
Atualmente este movimento está desarticulado. O último encontro das entidades foi durante o Congresso da Intercom em Setembro de 2001. A ENECOS tem como intuito atuar na sua reorganização a partir da implementação da proposta de avaliação institucional apresentada no CONECOM do primeiro semestre de 2002.

Mais do que qualidade de ensino, qualidade da formação
O conceito de formação traz outros aspectos para além de ensino. Incluímos aí os programas de pesquisa e sua integração com a graduação; a extensão universitária, buscando a efetiva integração entre Universidade e Sociedade, além de outros aspectos que fazem da Universidade um espaço de formação ampla e aprofundada.
Nesse contexto de formação, fica realçada a necessidade de tratarmos a Comunicação Social de forma integrada, pensando as habilitações sob esse prisma comum. É importante que façamos a discussão sobre a especificidade das habilitações, desse tênue limite entre elas no campo da Comunicação.
Vamos lutar pelo ensino de Comunicação. Procure o seu CA ou DA para discutir o seu curso. Procure a ENECOS para batalharmos juntos por qualidade em nossa formação.
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HISTÓRIAS...
A qualidade de ensino em comunicação sempre foi uma preocupação de todos os estudantes, já que os problemas de nossos cursos refletem no nosso dia a dia nas salas de aula, na nossa formação acadêmica, profissional e humana. Não por acaso, a ENECOS fez da qualidade de ensino a sua principal luta. Para tanto, resolvemos partir do início. em 1994, realizamos então uma pesquisa nas escolas a respeito do cumprimento da resolução 002/84 do MEC, que regulamentava os cursos de comunicação. Foram mandados questionários para todas as escolas de comunicação e, dos 44 respondidos, chegamos a uma conclusão arrasadora: nenhuma escola cumpria a (defasada) resolução.
Essa pesquisa traduziu concretamente aquilo que todos já sabiam, mas também apontou novas reflexões. A falta de projetos de pesquisa acadêmica e extensão revelou a dura realidade das escolas de comunicação, reduzidas apenas à sala de aula, "entendida como única formatação possível da atividade de formação universitária. Se a universidade não pode prescindir de (boas) salas de aula, a complexidade contemporânea de um curso de nível universitário transcende, necessariamente, a simples sala de aula e exige plurais configurações acadêmico-pedagógicas, adequadas à pluralidade de conteúdos indispensáveis à formação do comunicador, sem os quais um curso universitário está seriamente comprometido em sua qualidade" (Albino Rubim, documento do Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino).
Algumas exigências laboratoriais descumpridas davam conta de como os cursos estavam anos-luz atrás da realidade, impedindo qualquer possibilidade de uma formação técnica razoável. A falta de formação humanística e de interdisciplinaridade estava expressa nos currículos defasados - muitos deles são apenas um amontoado de disciplinas desconexas, que não formam um comunicador social - e, principalmente, na falta de um projeto acadêmico definido. Não foi difícil perceber que algumas deficiências não são apenas reflexo do despreparo de algumas escolas, e sim provas do desleixo e falta de compromisso com o ensino de qualidade.
Com essas constatações em mãos, demos então um segundo passo: convocamos, em julho de 1995, durante o XIX ENECOM, em Brasília, o I Seminário sobre Qualidade de Ensino em Comunicação. Convidamos, além de vários Centros e Diretórios Acadêmicos, entidades da área de comunicação que para nós eram aliados fundamentais nessa história: FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), Compós (Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação), ABECOM (Associação Brasileira de Escolas de Comunicação), Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação), FITERT (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Rádio e TV), e UCBC (União Cristã Brasileira de Comunicação). Ou seja, entidades do setor acadêmico, profissional e social. Em meio a debates, acordos e polêmicas, buscamos (e conseguimos) a construção de uma parceria, na forma do Movimento Nacional pela Qualidade do Ensino em Comunicação, cujo principal objetivo, expresso em sua Carta de Lançamento, é "a definição de políticas comuns de qualidade de ensino em comunicação" (Intercom da Aracaju, setembro de 1995).
Em 1996, a ENECOS lançou a campanha "Fiscalize sua Escola!", mais uma vez na contramão da mediocridade em que mergulham o ensino universitário e a educação brasileira - vítimas de governos oportunistas, professores acomodados, profissionais distantes, alunos descrentes. Esse quadro desolador, antes de desanimar, nos deu mais forças para fazer reinvindicações justas que mudaram o panorama de algumas de nossas escolas. Foram distribuídas quase 20 mil cartilhas, 2 mil cartazes e mais de 20 mil adesivos. A campanha tomou conta do Movimento Estudantil de comunicação, e produziu experiências relatadas no Dossiê "Fiscalize sua Escola!" por alguns Centros e Diretórios Acadêmicos que enviaram textos sobre a campanha. Eleição de piores problemas da escola, debates sobre reforma curricular, criação de grupos de discussão sobre qualidade de ensino, protestos bem-humorados. Produziu-se movimentação nas escolas, e os estudantes foram os responsáveis pela expansão da campanha para todo o país.
Paralelamente, o trabalho junto ao Movimento pela Qualidade do Ensino produziu três documentos, sobre Parâmetros de Qualidade de Ensino, Fiscalização das Escolas e Formação Profissional. Era o primeiro passo concreto na construção de um modelo de avaliação institucional das escolas, que teria a participação de estudantes, professores e profissionais. Os documentos explicitavam a discordância das entidades que compunham o Movimento em relação a política educacional do governo federal. Com esses documentos, o caminho era divulgar e discutir o projeto, mais profundamente, junto as bases de cada entidade. A ENECOS então levou-os às escolas, buscando colocar o tema na ordem do dia. Durante o IV Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos), realizado durante o mês de janeiro de 97, em Vitória, discutimos e sugerimos modificações nos textos.
As outras entidades também fizeram suas discussões, porém, algumas ficaram pelo caminho, dificultando nossas ações. O Movimento reduziu-se a ENECOS, FENAJ e Compós. O documento, abrangente e amplo, tinha suas falhas, e a saída de algumas entidades diminuiu o fôlego do Movimento, dificultando sua correção.
Na tentativa de rearticular o Movimento, participamos do Congresso Extraordinário da FENAJ, realizado em Vila Velha - ES, em julho de 96, que definiu um Programa de Estímulo à Formação dos Jornalistas, com um planejamento estratégico para um ano.
A ENECOS vivia um momento de renovação dos seus quadros, com a mudança de diretoria, e o projeto "Avaliação pra Valer", que incluía a construção de um modelo de avaliação institucional, ganhava cada vez mais importância na política da entidade. Traçamos um planejamento estratégico que dependia diretamente das parcerias com o Movimento, que ficou prejudicado com a decisão da FENAJ de entrar na comissão de formulação do provão, o que nos fez repensar a nossa relação com essas entidades. Após a reunião da diretoria da FENAJ em Curitiba (novembro/97), da qual participamos como convidados, a decisão dos jornalistas de se retirarem da comissão do MEC reafirmou o compromisso entre as entidades na manutenção do Movimento pela Qualidade do Ensino e da construção de um projeto de avaliação institucional.
Em maio de 98 convocamos o II Seminário sobre Qualidade de Ensino em Comunicação, onde foram discutidas bases de um programa nacional de estímulo à qualidade da formação em Comunicação. A Comissão de Especialistas em Comunicação do MEC (CEE-COM) comparece ao Seminário e faz o convite às entidades presentes para a participação na construção das diretrizes curriculares do curso de Comunicação. A primeira reunião acontece em fevereiro de 99, em Brasília, e a ENECOS se faz presente discutindo e propondo diversos pontos. O documento preliminar é a partir daí amplamente divulgado e suscita discussão em todo o país a respeito dos currículos de Comunicação. A proposta de Documento Final saiu no começo de julho de 99, e conseguiu contemplar as diversas propostas apresentadas pels entidades e Universidades.
Ainda em maio de 99, acontece em Brasília, também promovido pela ENECOS, o Seminário Avaliação pra Valer. Ele marca a necessidade de ampliar e aprofundar a discussão sobre Avaliação Institucional e, como resultado, sai dali o GET (Grupo de Estudo e Trabalho) de Avaliação, com a incumbência de formular um projeto a partir da discussão ocorrida. Esse grupo apresenta a primeira fase do projeto no ENECOM, em agosto, em Maceió. O projeto começa a sair do papel.
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