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AVALIAÇÃO
INSTITUCIONAL
Esse deve ser o principal instrumento para se chegar a uma melhoria
do ensino, porque é através dele que é possível
detectar problemas e suas soluções. Além de ser
um processo natural dentro das escolas. Quantas vezes encontramos grupos
de alunos ou professores reclamando uns dos outros ou da instituições
em que estão, ou discutindo ótimas idéias que,
se implementadas, poderiam melhorar e muito a realidade de cada um?
Será que esses problemas são exclusivos de determina da
escola? Seria difícil unir essas iniciativas e críticas?
Não. Pelo simples motivo de que essa é uma das nossas
maiores necessidades e funções: discutir de forma geral
as escolas de Comunicação Social incluindo a sala de aula,
a pesquisa e extensão.
Para isso é necessário um modelo de avaliação
que traga para o dia a dia das escolas uma cultura de questionamento
e auto-questinamento constante, uma estrutura na qual todos os setores
da Universidade e as pessoas que os compõe se sentem partes e
agentes responsáveis pela melhoria da instituição,
da educação e da profissão em geral.
A formação do comunicador não pode se restringir
a capacitação técnica do profissional. Deve abranger
a formação humanística, cultural, ética
e política do comunicador.
Ficar alheio a essa discussão significa aceitar o modelo de ensino
atual tecnicista, fragmentado e que não condiz com o perfil de
comunicador e universidade que a sociedade precisa. Significa aceitar
a exclusão da democracia e do exercício da cidadania no
nosso dia a dia.
As avaliações do MEC (se
é que podem ser assim chamadas)
Os atuais métodos de avaliação do Ministério
da Educação vão exatamente contra esse ideal. E
vieram ignorando todo o processo dessas discussões que acontecia
dentro das escolas e entidades da área. São métodos
autoritários, que não tem em vista o aprimoramento da
instituição, nem a valorização da Universidade
como agente de transformação social e que incentivam apenas
as posturas clientistas de professores e alunos. Enquanto desintegram
as universidades públicas.
Provão
Uma avaliação que se resume a uma letra e ignora o tripé
ensino, pesquisa e extensão que deveria formar Universidade,
avaliando apenas o aluno (e muito mal!).
Foi imposto pelo governo federal com o único objetivo de ranquear
os cursos, criar centros de excelência para direcionar a verba
para poucos e transformar os outros em escolões do terceiro grau,
sem produção de conhecimento e crítica. Transformando
a Universidade apenas em produtora de mão de obra especializada.
Mas para arquitetar isso tudo não é fácil. Em primeiro
lugar é preciso muito autoritarismo para passar por cima da autonomia
universitária e de projetos debatidos na sociedade (como o PAIUB
e a CINAEM), depois é preciso muito dinheiro. Só com o
provão gasta-se mais de seis milhões de reais por ano.
E por último, mas não menos importante, é preciso
ter uma mídia governista e puxa-saco.
E o resultado? O governo se desresposabiliza da educação
para se tornar um fiscalizador, enquanto destroe o bom ensino superior
( o fundamental e o médio já
foram!) e aparece como o grande bem feitor!!!
Para entender melhor o porque das críticas da ENECOS ao Provão,
você pode ler os textos da Executiva a esse respeito na seção
Documentos
e Textos.
Avaliação
das Condições de Oferta
É colocado como um processo que avalia a universidade como um
todo, mas a simples informação de que isso se faz em vistas
de no máximo dois dias, já põe em cheque a pretensão.
É mais uma vez algo feito apenas pelo MEC e que vem de fora para
dentro das escolas, de forma autoritária e subjetiva, tentando
impor um tipo de curso que alguns "doutos senhores" julgavam
o ideal. Além de ser um levantamento meramente quantitativo,
por exemplo, verificavam a titulação e a dedicação
dos professores e a existência de um projeto pedagógico,
mas não o seu cumprimento, ou o preparo didático pedagógico
dos docentes e o cumprimento das ementas disciplinares.
Pesquisa e Extensão? Ops, esqueceram novamente!
Vale lembrar que não são raros os casos em que a direção
do curso pinça aqueles alunos que só falam bem da instituição
para serem entrevistados pela comissão do MEC, e antes alertam
os alunos de que falar mal da escola pode prejudicar muito o curso!
Enquanto isso nas escolas...
A hierarquia muitas vezes imposta, de direção e docentes
"superiores" e alunos "inexperientes inferiores"
impede uma análise e busca de soluções conjunta.
Aí aparecem mascaradas no rótulo bonito de "avaliação
institucional", métodos superficiais e estanques que não
envolvem a comunidade acadêmica e, às vezes, servem apenas
para "comprovar" o quanto a escola é boa, ou para cumprir
a exigência do MEC (que para reconhecer o curso, obriga-o a ter
uma avaliação interna)
O melhor exemplo disso são os grandes levantamentos quantitativos,
que muitas escolas fazem, através de questionários distribuídos
a alunos e professores (Isso nos melhores casos, é claro!).
Parece até que há um convênio com alguma empresa,
que nada entende da realidade universitária, que elabora os questionários
para as escolas, pois as muitas faculdades que chamam isso de um processo
de avaliação, eles são extremamente parecidos:
não se baseiam no projeto pedagógico do curso, pois afinal
servem para qualquer área de ensino, parece um jogo de loteria
ou o gabarito do vestibular e são sempre superficiais e nunca
qualitativos.
A existência de laboratórios, por exemplo, é levada
em conta, mas as condições e sua utilização,
não. É um método onde as não existe lugar
para a inter-relação dos setores da universidade ou a
interdisciplinariedade.
O resultado são tabelas estatísticas feitas por computadores
onde a média das médias das médias não refletem
mais nada.
Idéias como debates são rarrísimas. Afinal, o aluno
é sempre visto como causador de problemas, para quem nada, nunca
está bom.
Ah, se eles soubessem que esses pirralhos tem boas idéias...
Ah, se esses pirralhos trocassem a apatia por mostrar suas idéias...
E
a ENECOS?
A
história da Executiva está recheada com este assunto.
São projetos, seminários, lista de discussão, articulação
com outras entidades da área etc. Tudo isso para que o movimento
estudantil cumpra sua função na luta pela qualidade de
ensino.
Histórico
Em
1994 a principal pauta do Mecom passa ser a qualidade de ensino. A necessidade
de aprofundar essa discussão começa com uma pesquisa nacional
para saber qual era a realidade dos 93 cursos na época espalhados
pelo país. 44 escolas responderam os questionários, que
resultou num documento denominado Análise Descritiva das Escolas
de Comunicação Social do Brasil. A conclusão foi
assustadora: Nenhuma das respondentes cumpria todas as exigências
da (já na época defasada) resolução 02/84
do MEC, que regulamentava o curso de Comunicação Social
e a comunidade acadêmica estava estagnada.
Essa pesquisa foi o primeiro passo para se pensar em novas iniciativas
que pudessem discutir as escolas de comunicação com a
participação de alunos, professores e profissionais.
Em 1995 foi criado o Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino, quando
se juntaram à ENECOS algumas entidades da área de Comunicação,
como a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Compós
(Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação
em Comunicação), Abecom (Associação Brasileira
de Escolas de Comunicação), Intercom (Sociedade Brasileira
de Estudos Interdisciplinares em Comunicação), Fitert
(Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas
de Rádio e TV) e UCBC (União Cristã Brasileira
de Comunicação).
O objetivo era construir um projeto de Avaliação para
os cursos de Comunicação. Essa idéia era inspirada
pelo PAIUB (Programa de Avaliação Institucional das Universidades
Brasileiras), que estava em expansão e já tinha recebido
adesões voluntárias de 94 universidades, pois se aproximava
do tipo de avaliação que as escolas julgavam necessária
e ideal, contemplando avaliação interna, externa e reavaliação
de formas globais.
A carta de intenções do Movimento foi lançada em
setembro de 1996, no Congresso da Intercom . Mas a Articulação
entre as entidades não acontecia de forma plena e o movimento
perdia forças.
No Cobrecos de 1996, foi aprovado que a executiva combateria o recém
criado Exame Nacional dos Cursos, o Provão. No mesmo ano, no
Enecom de Florianópolis, a ENECOS lançou a campanha "Fiscalize
sua Escola!", que levou para as escolas através de cartilhas
a discussão dos parâmetros de qualidade de ensino propondo
que os próprios estudantes fossem os agentes de uma avaliação
permanente.
Em 1997, o projeto "Avaliação pra Valer" que
incluía a construção de um modelo de avaliação,
apesar de já aparecer como prioridade, demorava a ganhar um rumo
definido.
Em maio de 98, o V Cobrecos aprova o documento "Avaliação
pra Valer" e a resolução de boicote ao Provão.
Ainda naquele, ano as entidades se voltam para a construção
das Diretrizes Curriculares, ficando de lado o projeto de Avaliação,
e em junho, a campanha de boicote ao Provão consegue 10,6% de
provas em branco no Jornalismo.
Maio de 1999, ocorre o Seminário Avaliação pra
Valer, onde é criado o GET (Grupo de Estudo e Trabalho) Avaliação
pra Valer, que iria formular um projeto a partir da discussão
ocorrida o que resultou em vários documentos de diretrizes para
uma avaliação.
A tentativa de levar a discussão às escolas apenas com
esses documentos não deu certo.
Agora vamos lá!
Em setembro deste ano, ocorre o Seminário Avaliação
pra Valer em Campo Grande. A partir das premissas do Documento Final
do Get e de propostas feitas pelo ex-coordenador geral da Executiva,
João Brant, é elaborado um projeto de avaliação
para os cursos de Comunicação para ser discutido e adaptado
a realidade de cada escola.
Chegou a hora de por em prática! De levar para dentro das escolas
o sonho de uma avaliação construída coletivamente,
transformadora, permanente, responsável e global. Essa, agora,
é a nossa grande luta!!!
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DIRETRIZES
CURRICULARES
Histórico
Em 1996 é aprovada a Nova Lei de Diretrizes e Bases para a Educação
e decretado o fim dos currículos mínimos, a resolução
002/84, há tempos defasada sai de cena, e seriam fixadas Diretrizes
Curriculares.
A discussão delas começam em maio de 98, durante o II
Seminário sobre Qualidade de Ensino em Comunicação,
onde foram discutidas bases de um programa nacional de estímulo
à qualidade da formação em Comunicação.
A Comissão de Especialistas em Comunicação do MEC
(CEE-COM) comparece ao Seminário e faz o convite às entidades
presentes para a participação na construção
das diretrizes curriculares do curso de Comunicação.
A primeira reunião acontece em fevereiro de 99, em Brasília,
depois é divulgado e suscita discussão em todo o país
a respeito dos currículos de Comunicação. A proposta
de Documento Final sai no começo de julho de 99.
Este ano, a discussão ganha força, quando alguns professores
da área de jornalismo afirmavam que o documento apresentado pelas
entidades e pela CEE-COM ao MEC não contemplava algumas de suas
reivindicações e pedem a criação de uma
Comissão de Especialistas exclusiva para jornalismo. O MEC, através
do CNE, dá parecer contrário, mas esses mesmos professores
são indicados para fazer a Avaliação das Condições
de Oferta de Jornalismo, promovida pela SESU/MEC.
Entra a nova Comissão de Especialistas em Comunicação
Social e elabora os Padrões de Qualidade para os cursos da área.
Em 3 de abril de 2001, são aprovadas as diretrizes curriculares
com o parecer CNE/CES 492/01.
Reformas
curriculares
Mesmo antes da formulação e aprovação dessas
diretrizes, iniciou-se por todo o país um agitado processo de
reformas curriculares. Como explicar isso? Só o jeitinho brasileiro!
Uma boa associação para a maioria das reformas curriculares
é o Teatro "A revolução das cadeiras"
de Ionescu. Na peça, as cadeiras estão ao redor de uma
mesa pensando a revolução até que depois de muita
elaboração, elas fazem a revolução: todas
mudam de lugares e comemoram a conquista da revolução.
As mesmas cadeiras ao redor da mesma mesa!
É assim que vem ocorrendo a maioria das reformas curriculares,
só que em processos apressados e antidemocráticos. Muitas
vezes as reformulações saem dos gabinetes diretores, não
mudam a essência do curso e usam representantes discentes (em
minoria) para legitimar a decisão da maioria
As Diretrizes Curriculares aprovadas este ano, dão linhas gerais
para a formação em Comunicação e aumentam
a liberdade e a autonomia para as universidades elaborarem seus currículos.
Isso, no entanto, abre espaço para as "picaretagens",
que mascarados por rótulos de "inovações"
e pela desobrigação de seguir um currículo mínimo,
constróem os currículos de forma a ter mais lucro.
E as premissas de dar maior flexibilidade e dinamismo aos cursos podem
acabar pregando adaptações (muitas vezes de vontades de
poucos) e produzindo um curso cada vez mais técnico.
Nas escolas públicas a grade de ensino vai sendo adaptada à
falta de professores e de verbas, sucumbindo ao desmonte do ensino superior
brasileiro.
Essas restruturações ocorrem muitas vezes sem a reflexão
necessária sobre o que é o projeto pedagógico e
o currículo.
O currículo é a expressão do projeto acadêmico
que estabelece qual o perfil de formando desejado, quais as competências
e habilidades esperadas, como a escola se propõe a formar esse
estudante. Na maioria das vezes, são poucos os cursos com os
objetivos claros e definidos e a grade curricular (antes e depois da
reforma) não passa de um amontoado de disciplinas desconexas
com belas ementas, que em muitos casos, são descumpridas, para
o professor ministrar um conteúdo com o qual "tem mais intimidade".
E a tão falada interdiciplinariedade? Muitas escolas resolvem
esse fantasma com remendos em disciplinas totalmente desconexas.
Mas
qual pode ser o melhor caminho?
Construção coletiva, é claro! Muitas vezes é
difícil, devido em grande parte devida a síndrome de superioridade
de docentes e diretoria frente aos alunos. Cabe aos alunos fazerem tudo
o que for possível para tirar esses processos dos gabinetes e
levar para os principais interessados: TODA a comunidade acadêmica.
O primeiro passo é a definição do projeto pedagógico
e quais procedimentos pedagógicas serão utilizadas para
atingir-se aquele objetivo. É nele que estará definido
o perfil de curso que será adotado, respeitando-se as diferenças
que o ensino de Comunicação pode e deve ter. É
nessa hora que a comunidade acadêmica não pode esquecer-se
de que as habilitações fazem parte de um campo comum que
é a Comunicação Social e que o que forma uma Universidade
é ensino, pesquisa e extensão.
O que deve ser esquecido é a dicotomia teoriaXprática,
pensando num projeto de ensino onde cada uma está enraizada na
outra. Teoria e prática poderiam estar numa mesma disciplina,
que exercitaria o fazer e, ao mesmo tempo, o refletir sobre o fazer.
Um projeto acadêmico com objetivos e idéias claras se reflete
num currículo dinâmico e flexível. Essa é
a hora de se pensar nas disciplinas, sua ementas e relações.
Por fim, que esse nunca pode ser um processo estanque. Aí entra
a tão necessária avaliação, que envolve
todos os setores da universidade num repensar contínuo do projeto
pedagógico e de sua efetivação.
E se já passou?
Em muitas escolas a reformulação dos currículos
tem início, meio e fim. E esse fim parece ser definitivo, impossibilitando
mudanças necessárias. O que fazer se quando todo esse
rico processo não aconteceu e a grande parte da comunidade acadêmica
foi excluída?
O processo de reformas curriculares deve ser um processo contínuo,
mas mesmo se for colocado como terminado, a maioria das escolas faz
periodicamente uma revisão curricular, que e agora são
obrigadas a fazer, baseadas nos Padrões de Qualidade formulados
pela Comissão de Especialistas do MEC. É preciso acompanhar
isso muito de perto... Sem se esquecer de que nada adianta lutar por
um bom currículo se essa luta não for ainda maior por
avaliações responsáveis e justas, professores qualificados,
infra-estrutura adequada e tudo o que forma o ensino em Comunicação.
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O
Movimento Nacional pela Qualidade de Formação em Comunicação
Foi para tentar intensificar o debate acerca de algumas dessas questões
que, em 1995, surge o Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino em
Comunicação, que trocaria após alguns anos a expressão
Ensino por Formação. Diversas entidades ligadas à
Comunicação, estudantis, profissionais, sociais e acadêmicas,
perceberam a necessidade de se unir em torno do objetivo comum de se
melhorar a qualidade de ensino nos cursos. Atualmente contando com a
ENECOS, Compós, FENAJ, Intercom, ABECOM e UCBC, o Movimento busca
discutir currículos, Avaliação Institucional e
outros temas ligados à formação do estudante de
Comunicação
Atualmente este movimento está desarticulado. O último
encontro das entidades foi durante o Congresso da Intercom em Setembro
de 2001. A ENECOS tem como intuito atuar na sua reorganização
a partir da implementação da proposta de avaliação
institucional apresentada no CONECOM do primeiro semestre de 2002.
Mais
do que qualidade de ensino, qualidade da formação
O conceito de formação traz outros aspectos para além
de ensino. Incluímos aí os programas de pesquisa e sua
integração com a graduação; a extensão
universitária, buscando a efetiva integração entre
Universidade e Sociedade, além de outros aspectos que fazem da
Universidade um espaço de formação ampla e aprofundada.
Nesse contexto de formação, fica realçada a necessidade
de tratarmos a Comunicação Social de forma integrada,
pensando as habilitações sob esse prisma comum. É
importante que façamos a discussão sobre a especificidade
das habilitações, desse tênue limite entre elas
no campo da Comunicação.
Vamos lutar pelo ensino de Comunicação. Procure o seu
CA ou DA para discutir o seu curso. Procure a ENECOS para batalharmos
juntos por qualidade em nossa formação.
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HISTÓRIAS...
A qualidade de ensino em comunicação sempre foi uma preocupação
de todos os estudantes, já que os problemas de nossos cursos refletem
no nosso dia a dia nas salas de aula, na nossa formação
acadêmica, profissional e humana. Não por acaso, a ENECOS
fez da qualidade de ensino a sua principal luta. Para tanto, resolvemos
partir do início. em 1994, realizamos então uma pesquisa
nas escolas a respeito do cumprimento da resolução 002/84
do MEC, que regulamentava os cursos de comunicação. Foram
mandados questionários para todas as escolas de comunicação
e, dos 44 respondidos, chegamos a uma conclusão arrasadora: nenhuma
escola cumpria a (defasada) resolução.
Essa pesquisa traduziu concretamente aquilo que todos já sabiam,
mas também apontou novas reflexões. A falta de projetos
de pesquisa acadêmica e extensão revelou a dura realidade
das escolas de comunicação, reduzidas apenas à sala
de aula, "entendida como única formatação possível
da atividade de formação universitária. Se a universidade
não pode prescindir de (boas) salas de aula, a complexidade contemporânea
de um curso de nível universitário transcende, necessariamente,
a simples sala de aula e exige plurais configurações acadêmico-pedagógicas,
adequadas à pluralidade de conteúdos indispensáveis
à formação do comunicador, sem os quais um curso
universitário está seriamente comprometido em sua qualidade"
(Albino Rubim, documento do Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino).
Algumas exigências laboratoriais descumpridas davam conta de como
os cursos estavam anos-luz atrás da realidade, impedindo qualquer
possibilidade de uma formação técnica razoável.
A falta de formação humanística e de interdisciplinaridade
estava expressa nos currículos defasados - muitos deles são
apenas um amontoado de disciplinas desconexas, que não formam um
comunicador social - e, principalmente, na falta de um projeto acadêmico
definido. Não foi difícil perceber que algumas deficiências
não são apenas reflexo do despreparo de algumas escolas,
e sim provas do desleixo e falta de compromisso com o ensino de qualidade.
Com essas constatações em mãos, demos então
um segundo passo: convocamos, em julho de 1995, durante o XIX ENECOM,
em Brasília, o I Seminário sobre Qualidade de Ensino em
Comunicação. Convidamos, além de vários Centros
e Diretórios Acadêmicos, entidades da área de comunicação
que para nós eram aliados fundamentais nessa história: FENAJ
(Federação Nacional dos Jornalistas), Compós (Associação
Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação),
ABECOM (Associação Brasileira de Escolas de Comunicação),
Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação),
FITERT (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas
de Rádio e TV), e UCBC (União Cristã Brasileira de
Comunicação). Ou seja, entidades do setor acadêmico,
profissional e social. Em meio a debates, acordos e polêmicas, buscamos
(e conseguimos) a construção de uma parceria, na forma do
Movimento Nacional pela Qualidade do Ensino em Comunicação,
cujo principal objetivo, expresso em sua Carta de Lançamento, é
"a definição de políticas comuns de qualidade
de ensino em comunicação" (Intercom da Aracaju, setembro
de 1995).
Em 1996, a ENECOS lançou a campanha "Fiscalize sua Escola!",
mais uma vez na contramão da mediocridade em que mergulham o ensino
universitário e a educação brasileira - vítimas
de governos oportunistas, professores acomodados, profissionais distantes,
alunos descrentes. Esse quadro desolador, antes de desanimar, nos deu
mais forças para fazer reinvindicações justas que
mudaram o panorama de algumas de nossas escolas. Foram distribuídas
quase 20 mil cartilhas, 2 mil cartazes e mais de 20 mil adesivos. A campanha
tomou conta do Movimento Estudantil de comunicação, e produziu
experiências relatadas no Dossiê "Fiscalize sua Escola!"
por alguns Centros e Diretórios Acadêmicos que enviaram textos
sobre a campanha. Eleição de piores problemas da escola,
debates sobre reforma curricular, criação de grupos de discussão
sobre qualidade de ensino, protestos bem-humorados. Produziu-se movimentação
nas escolas, e os estudantes foram os responsáveis pela expansão
da campanha para todo o país.
Paralelamente, o trabalho junto ao Movimento pela Qualidade do Ensino
produziu três documentos, sobre Parâmetros de Qualidade de
Ensino, Fiscalização das Escolas e Formação
Profissional. Era o primeiro passo concreto na construção
de um modelo de avaliação institucional das escolas, que
teria a participação de estudantes, professores e profissionais.
Os documentos explicitavam a discordância das entidades que compunham
o Movimento em relação a política educacional do
governo federal. Com esses documentos, o caminho era divulgar e discutir
o projeto, mais profundamente, junto as bases de cada entidade. A ENECOS
então levou-os às escolas, buscando colocar o tema na ordem
do dia. Durante o IV Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação
Social (Cobrecos), realizado durante o mês de janeiro de 97, em
Vitória, discutimos e sugerimos modificações nos
textos.
As outras entidades também fizeram suas discussões, porém,
algumas ficaram pelo caminho, dificultando nossas ações.
O Movimento reduziu-se a ENECOS, FENAJ e Compós. O documento, abrangente
e amplo, tinha suas falhas, e a saída de algumas entidades diminuiu
o fôlego do Movimento, dificultando sua correção.
Na tentativa de rearticular o Movimento, participamos do Congresso Extraordinário
da FENAJ, realizado em Vila Velha - ES, em julho de 96, que definiu um
Programa de Estímulo à Formação dos Jornalistas,
com um planejamento estratégico para um ano.
A ENECOS vivia um momento de renovação dos seus quadros,
com a mudança de diretoria, e o projeto "Avaliação
pra Valer", que incluía a construção de um modelo
de avaliação institucional, ganhava cada vez mais importância
na política da entidade. Traçamos um planejamento estratégico
que dependia diretamente das parcerias com o Movimento, que ficou prejudicado
com a decisão da FENAJ de entrar na comissão de formulação
do provão, o que nos fez repensar a nossa relação
com essas entidades. Após a reunião da diretoria da FENAJ
em Curitiba (novembro/97), da qual participamos como convidados, a decisão
dos jornalistas de se retirarem da comissão do MEC reafirmou o
compromisso entre as entidades na manutenção do Movimento
pela Qualidade do Ensino e da construção de um projeto de
avaliação institucional.
Em maio de 98 convocamos o II Seminário sobre Qualidade de Ensino
em Comunicação, onde foram discutidas bases de um programa
nacional de estímulo à qualidade da formação
em Comunicação. A Comissão de Especialistas em Comunicação
do MEC (CEE-COM) comparece ao Seminário e faz o convite às
entidades presentes para a participação na construção
das diretrizes curriculares do curso de Comunicação. A primeira
reunião acontece em fevereiro de 99, em Brasília, e a ENECOS
se faz presente discutindo e propondo diversos pontos. O documento preliminar
é a partir daí amplamente divulgado e suscita discussão
em todo o país a respeito dos currículos de Comunicação.
A proposta de Documento Final saiu no começo de julho de 99, e
conseguiu contemplar as diversas propostas apresentadas pels entidades
e Universidades.
Ainda em maio de 99, acontece em Brasília, também promovido
pela ENECOS, o Seminário Avaliação pra Valer. Ele
marca a necessidade de ampliar e aprofundar a discussão sobre Avaliação
Institucional e, como resultado, sai dali o GET (Grupo de Estudo e Trabalho)
de Avaliação, com a incumbência de formular um projeto
a partir da discussão ocorrida. Esse grupo apresenta a primeira
fase do projeto no ENECOM, em agosto, em Maceió. O projeto começa
a sair do papel.
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