Democratização da Comunicação

Seções:

Comunicação Comunitária
Comunicação Digital
Entrada do capital estrangeiro
Conselho de Comunicação Social



Não há nação democrática, sem haver também democracia na maneira como essa nação se comunica. Num país onde poucos grupos dominam os meios de comunicação social e não tem nenhuma vergonha de utilizá-los unicamente para se manter no poder e obter lucros, a luta pela democratização da comunicação se faz tão necessária quanto a luta pela democratização da terra, do capital, da saúde e da educação.
Mas democratizar a comunicação vai além de quebrar o oligopólio das elites sobre a mídia. Ela deve ter como premissa o direito à comunicação, que não é só o direito ao acesso, mas também à produção e mediação de discursos sociais. Os indivíduos não são meros espectadores e nem merecem somente conteúdo de qualidade. Os meios de comunicação devem ser mediadores da mais variada gama de posições, visões, opiniões e idéias, desde que garantido o espaço de forma democrática e transparente.
O momento é muito propício para essa mudança. Com o advento das novas tecnologias e com a convergência dos meios, abre-se uma oportunidade para se recomeçar direito. Além da ampliação das possibilidades midiáticas, processos regulatórios estão se iniciando e legislações antigas começam a ser revistas. É a hora e vez da participação da sociedade. E a atuação dos estudantes de comunicação neste contexto se faz imprescindível. Isso por que nossa formação acadêmica nos permitiu uma visão menos superficial da comunicação contemporânea e, principalmente, por que em breve seremos nós os responsáveis por ela.
É por isso que a ENECOS dá tanta importância a luta pela Democratização da Comunicação. Por este motivo nossos fóruns de discussão recorrem sempre a este tema. E é por isso que convocamos todos os interessados a engrossar as fileiras na luta contra este modelo atual capitalista, concorrente, para construirmos em seu lugar um modelo solidário e complementar. Um modelo em que o potencial educador, mobilizador e criador possa se desenvolver.

Direito a comunicação
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Modelo de legislação democrático
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Controle Público da Mídia
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Reforma Agrária do ar (quebra do monopólio)
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Democratização da Comunicação

Para por a boca no mundo
A Democratização dos Meios de Comunicação tem sido uma das principais bandeiras da ENECOS desde seu surgimento. Em todos os Encontros do Movimento de Comunicação, o tema tem sido debatido entre estudantes e profissionais da área. A ENECOS tem desempenhado papel fundamental na atuação do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), que tem como uma de suas conquistas a aprovação da lei que destina 6 canais à comunidade - dentre eles, o canal universitário.
Tudo isso pode estar parecendo meio vago... Para entender melhor o que significa democratizar os meios de comunicação, vamos tentar definir os veículos de comunicação, sua concepção e surgimento. Os veículos de Comunicação têm, como princípio fundamental, serem difusores da informação, sendo assim prestadores de serviços para a sociedade. Para o funcionamento de um veículo é preciso uma concessão, que é feita pelo Ministério das Comunicações. Ocorre que essa concessão não é privada, ela tem - é bom frisar - um caráter público, sendo a concessão pública um ato legal que visa oferecer a toda a sociedade um instrumento que lhe sirva e que sirva a todo o país.

Mas as concessões no Brasil têm sempre servido para favorecer a classe política dominante, transformando os meios de comunicação em um instrumento mantenedor da ordem vigente, de forma que movimentos sociais, sindicatos e comunidade não possuam também o seu instrumento de comunicação - sendo podados, portanto, em um direito fundamental de cidadania: a liberdade de expressão. Um veículo comunitário - universitário no caso da comunidade acadêmica - é o meio de expressão social da comunidade em que o veículo se insere. Busca valorizar o cidadão e as atividades regionais sem perder o caráter universal de ser um meio de comunicação, abrindo espaço para que os mais variados assuntos sejam debatidos de forma democrática, ampla e diversa. Um veículo comunitário é, principalmente, aquele feito com, pela e para a comunidade. Além de ser um forte instrumento para a melhoria das condições de vida, do grau de informação e da consciência crítica da população local e, consequentemente, da sociedade como um todo.
Para nós, estudantes, a discussão gira principalmente em torno da forma de atuação e do papel que desempenhamos nos veículos universitários e comunitários. Esses são espaços que, além de ocuparem fatia crescente no mercado de trabalho, são fundamentais para nossa formação profissional e humana, pois têm um caráter de experimentação de linguagem e nos proporciona parceria com outros movimentos sociais.A luta pela Democratização da Comunicação enfrenta fortes barreiras, pois os detentores do poder (coincidentemente detentores das concessões) sabem que não se trata de um pequeno grupo de pessoas querendo brincar de radialista numa radiozinha de curto alcance no bairro em que mora, mas sim de milhares de pequenos grupos que fazem crescer a cada dia o número de rádios e TV's comunitárias e universitárias com total consciência da responsabilidade e do poder de fogo que isso tem, levando informação e debate para todo o Brasil. Democratizar a comunicação é muito mais do que aumentar o leque de opções midiáticas para a sociedade - é um grande passo para a real democratização do nosso país.
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Comunicação Comunitária

Textos indicados:
:: Rádios Comunitárias - artigo do deputado Walter Pinheiro (PT-BA)
:: Os desmandamentos da rádio comunitária - Análise da legislação por Ismael Soares
:: Comunitárias, piratas ou o que? - reportagem da revista Imprensa
:: Modelo de estatuto para rádios comunitárias
:: Modelo de código de ética para rádios comunitárias
:: Boletim da ABRAÇO - maio 2002
:: Boletim da ABRAÇO - abril 2002
:: Boletim da ABRAÇO - setembro 2001
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Comunicação Digital

Nos próximos meses o Brasil tem pela frente uma decisão estratégica de imensa repercussão econômica, política e cultural: a definição do modelo jurídico-institucional e tecnológico de implementação da digitalização dos serviços de rádio e televisão. Com a tecnologia digital a qualidade da imagem passa a ser equivalente à do cinema e som se equipara ao de um CD.
Também multiplica-se a capacidade de transmissão de programas que podem ser transmitidos simultaneamente com serviços interativos de transações de dados, como comércio eletrônico, sistemas informativos, jogos e até acesso à internet. Nesta revolução tecnológica será gerado no país um mercado de US$ 100 bilhões nos próximos 15 anos, mudarão substancialmente as relações entre os usuários e os produtores de programas e serviços, e serão estabelecidas as formas de comunicação e expressão que predominaram nas próximas décadas do século XXI.
Disputam a prerrogativa de constituição da base tecnológica da digitalização dos serviços de radiodifusão três plataformas: ATSC (norte-americana), DVB (européia) e ISDB (japonesa). A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promoveu, com o patrocínio de empresas de televisão e indústrias, testes comparativos sobre os três padrões, coordenados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Sociedade dos Engenheiros de Telecomunicações (Set). O resultado do estudo Abert/Set dos padrões foi divulgado em 2000 e provocou surpresa internacional, recomendando o japonês ISDB, referendando o europeu DVB e apontando o norte-americano ATSC como o menos adequado. O minucioso estudo brasileiro foi a primeira comparação direta entre os três padrões, tendo grande repercussão. A Argentina, por exemplo, que já havia se definido pelo padrão ATSC voltou atrás e passou a repensar as alternativas.
Diante do resultado os norte-americanos pressionaram fortemente o Brasil e a Anatel desacelerou o processo de decisão. Publicou em abril de 2001 um relatório integrador das informações existentes produzido pela Fundação Centro de Pesquisa de Desenvolvimento (CPqD) e abriu uma consulta pública que vai 13 de abril até 18 de junho. Para o próximo dia 29 de maio foi marcada uma das raras audiências públicas da história da Anatel para debater o tema.
O enfoque da Anatel, entretanto, é restritivo, optando por definir o abrangente processo de recomposição da base tecnológica das comunicações como escolha da tecnologia para a "televisão digital", embora reconheça que o alcance dos novos serviços que serão viabilizados vai muito além da mera transmissão de programas de televisão. A Anatel também está abdicando de formular uma política abrangente para o processo de digitalização da comunicação eletrônica e, injustificadamente, deixou de lado os serviços de televisão por assinatura que também estão em fase de digitalização. Minimizando a importância da decisão que será tomada, a Anatel parece pretender reduzir sua repercussão pública e assume uma posição temerária: já declarou oficialmente que colherá subsídios, mas não colocará em consulta pública a definição da plataforma tecnológica, que será "apenas anunciada".
Este é o cenário de uma disputa na qual a sociedade civil ainda muito pouco atua, deixando que as definições acabem sendo feitas basicamente pelo poder Executivo e pelo setor privado, aliás, como ocorreu ao longo da história com o atual sistema de rádio e televisão, com suas características monopolistas, antidemocráticas e culturalmente empobrecidas.
(Trecho do texto de Gustavo Splidoro)

Textos indicados:
:: Contribuição da FENAJ sobre TV Digital para Consulta Pública da ANATEL
:: Relatório do Grupo de Trabalho do FNDC sobre TV Digital
:: TV Digital - artigo Gustavo Spolidoro
:: Por debaixo dos panos - matéria do ECOS (jornal da ENECOS) - setembro de 2001
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Entrada do capital estrangeiro

Foi aprovada no Congresso este ano Emenda Constitucional que permite a participação de 30% do controle acionário das empresas de jornalismo e de radiodifusão ao capital estrangeiro. A emenda altera o artigo 222 da Constituição que permitia que apenas "brasileiros natos ou naturalizados há mais de 10 anos" pudessem ser donos dessas empresas. Além da participação estrangeira, a proposta permite também que pessoas jurídicas possam ter capital votante dentro das empresas.
Há anos engavetada na Câmara dos Deputados, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) foi aprovada com rapidez nunca antes vista na casa. Tudo por que a Rede Globo, que até o ano passado era contrária à proposta, viu no exterior a possibilidade de se capitalizar para tentar remediar a crise exposta com o rombo da GloboCabo. Com o apoio da mais poderosa rede de comunicação do país, em questão de meses a PEC foi aprovada na Câmara e no Senado.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e suas entidades afiliadas, entre elas a ENECOS, tentaram intervir para impedir que tamanho atentado à soberania nacional se concretizasse. Apesar dos esforços e das tentativas, os partidos de oposição (com exceção do PDT) preferiram engolir os argumentos fracos e fizeram coro junto com a base governista, garantindo apenas a instalação do Conselho de Comunicação Social.
Para ver por que a entrada do capital estrangeiro é maléfica à mídia e à fraca democracia brasileira, leia os textos abaixo:

Textos indicados:
:: Manifesto do FNDC contra a aprovação da PEC do capital estrangeiro no Senado
:: Texto do Professor Murilo Ramos sobre a entrada do capital estrangeiro
:: Texto da Emenda Constitucional (PEC 203/95) aprovada no Congresso
:: Nota da ENECOS contra a aprovação da PEC 203/95
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Conselho de Comunicação Social

Desde a décda de 80 os movimentos pela democratização da comunicação lutam para que o controle público dos meios pela sociedade seja efetivado. Durante a constituinte, estes movimentos conseguiram a criação de um órgão auxiliar do Congresso para a área da comunicação. Nascia aí o Conselho de Comunicação Social, que ficou no papel durante 14 anos até ser instalado em maio deste ano após a pressão de entidades da sociedade civil e uma negociação feita pelos partidos de oposição envolvendo a emenda constitucional que permite a entrada do capital estrangeiro na mídia.
Está previsto na Lei que o CCS deve ser formado por quatro representantes do segmento empresarial (Rádio, TV, Impresso e Engenharia), quatro do segmento profissional (Jornalistas, Radialistas, Trabalhadores em Cinema e vídeo e Artistas) e cinco da sociedade civil. No entanto, o órgão que deveria representar a sociedade dentro do Congresso acabou, na sua formação final contendo dois notórios (pessoas que não representam nenhum segmento social), Carlos Chagas e Alberto Dines; o advogado do jornal O Estado de São Paulo, José Eduardo Cavalcanti;o presidente do Grupo RBS (maior afiliada da rede Globo), Jayme Sirotski. Salva-se aí o representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Ricardo Moretzsohn.
Esta formação é resultado de um processo ilegítimo de negociação dentro do Congresso onde, por exemplo, a entidade representativa da radiodifusão comunitária (ABRAÇO) foi literalmente vetada pelas entidades emrpesariais por meio de sua influência junto à base governista. Esta primeira gestão do CCS terá mandato até março de 2003, quanto haverá nova eleição.
Somos a favor de lutar dentro do Conselho de Comunicação para que ele não seja apenas um acessório, mas que suas discussões ecoem para a sociedade e que sejam respeitadas dentro do próprio Congresso. O movimento estudantil de comunicação vai lutar junto ao Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) para que em 2003 a sociedade civil possa realmente ter seu lugar dentro do CCS.

Textos indicados:
:: Relato do FNDC da negociação da instalação do Conselho no Congresso
:: Relato do EPCOM sobre a luta pela instalação do Conselho
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