Acerte o Canal: a TV Digital no Centro do Debate
O governo está a ponto de decidir qual modelo de televisão
digital do país, mas a coisa não é tão simples
quanto parece. A discussão engloba a digitalização
de todo o sistema de rádio e TV do país, em relação
a sua forma de envio e recepção, e os paradigmas tecnológicos
e decisões políticas que podem tornar mais democrática
sua gestão.
Estes parâmetros permitirão tanto a TV Globo quanto as
TVs universitárias emitirem seus sinais em freqüências
abertas, ou seja, gratuitas, como são recebidos hoje, com aquela
anteninha com o bombril enferrujado.
Os sistemas avaliados (para compra de tecnologias e o do modelo de difusão
de sinais adotado) são o europeu, o japonês e o americano,
sobre os aspectos de qualidade e flexibilidade (mobilidade) da imagem,
possibilidade de lucros para a indústria nacional, multiprogramação
e ferramentas de inclusão social, deixando de lado as questões
do custo das tecnologias para os radiodifusores comunitários
e da participação dos/as espectadores/as.
Uma alternativa, pesquisada desde 2003 é o Sistema Brasileiro
de Televisão Digital, desenvolvido por consórcios de laboratórios
e universidades, a partir de preceitos estabelecidos pelo Governo Federal.
Entre outras coisas, aposta na interatividade e seus resultados foram
coletados e avaliados pelo CPqD, responsável pelo relatório
que norteará a decisão do Governo.
O Ministério das Comunicações, em especial o ministro
Hélio Costa, defendem abertamente o sistema japonês, preferido
das grande TVs, especialmente a Globo. As telefônicas defendem
o sistema europeu, enquanto parte do Legislativo e da Sociedade Civil
mobilizada pedem o adiamento da decisão para entender melhor
o processo.
Enquanto a discussão é tratada pelos aspectos técnicos,
como uma mera substituição de tecnologia, não se
reflete sobre as reais possibilidades e necessidades do país,
como a democratização do acesso e dos meios de comunicação.
Pouco se discute como permitir que sindicatos, comunidades, movimentos
sociais, partidos políticos e outros grupos possam ter acesso
a meios de propagar seus conteúdos, suas idéias.
Além da digitalização da TV, está em curso
a digitalização do rádio, que vive um contexto
ainda pior que o da Tv digital, pois as discussões deram lugar
a testes de um padrão americano de rádio digital, e a
legislação brasileira nem de longe acompanha a pressa
das TVs e rádios comerciais e dos grandes investidores em dar
por encerrada a questão.
Todo esse debate é camuflado pela grande mídia. Devemos
expandir o debate na nossa universidade, nos movimentos sociais e na
sociedade, inserindo a população nessa luta, já
que depende dos marcos do processo de digitalização uma
possibilidade concreta de democratizar os meios de comunicação.
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